domingo, 25 de dezembro de 2011

Águia



"E me pergunto quando verei aquele seu sorriso de novo. Tão cheio de dúvidas e incapaz, mas ainda sim forte e espontâneo. Me pergunto se ainda vou ouvir o som da sua risada e perceber que sua respiração foi abafada pelo silêncio entre nós e suas lágrimas.
E tudo o que desejo é manter-te aqui em meu peito, envolto em meus braços, meu doce amigo. Ninando-o como uma mãe faz ao filho. Contando-lhe histórias, contando-lhe sonhos e propostas. Ensinando-o a superar sua própria dor, a se recompor. Como se eu fosse tão forte e tão experiente na luta da vida!
Ah, meu amigo. A verdade é que o tempo não vai conseguir te tirar de mim. Eu e o tempo fizemos um acordo, e em troca de grilhões algemas e mordaças em meu ser, em minh'alma, ele me deixaria em paz.
Mas por quanto tempo minha essência resistirá?
Até que tu consigas levantar e lutar sozinho outra vez, meu amigo. Ficarei tempo suficiente para proteger-te de tudo e de todos que tentarem te causar mal. Minha ave ferida. Tão livre, tão feroz, tão companheira. Sempre planando ao meu lado.
Juntos, nós dominamos a noite. A guia e a àguia."
Letícia Cotta.

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