domingo, 8 de janeiro de 2012

O verão.

‎"Fecho os olhos,
e o suspiro da noite me convida
a um mundo de sonhos, de fantasias.
De romances delirantes e de paixões grotescas.
Dei um passo à fora,
só para ver se o chão tem mesmo lama.
Dei um passo para fora,
só para ver se o céu é mesmo tão azul e cheio de estrelas.

Fecho os olhos,
e o suspiro da noite me convida
a um sonho sem sonhos
a uma noite silenciosa e chuvosa.
Faça do seu modo,
só do seu jeito.
Faça o que tiver que fazer,
para ser o que você quer ser.
Grite quando tiver que gritar,
se te tirarem um suspiro depois.

Fecho os olhos,
na calada da noite,
almejando alguma luz.
Faz tanto frio,
é tão vazio
tão quieto
e tão indolor.

Dei um passo à fora,
procurando pelo Inverno em mim.
Mas minha essência me disse:
- Você precisa procurar mais à fundo.
Dei um passo à fora,
procurando pelo Inverno em mim.
Mas meu coração me disse:
- Você precisa descongelar o que sente.
Procurei pela Primavera também,
mas, cansada, ela veio pessoalmente me dizer:
- Você precisa ser mais racional.

E num suspiro de Outono,
me deixei levar.
E num último suspiro de Outono,
meu coração também se foi.
E com ele, levou meu querer, meu sentir, meu sofrer.
Deixando só a Succubus em mim, vazia e consciente
disposta a alimentar o caminho para o Limbo e o Sétimo Inferno,
se isso significar que ela pode respirar de novo.
Se isso significar que ela sentirá o suspiro de Outono, de vida
mais uma vez.

Tão perto, tão distante.
Fecho meus olhos.

E a noite se despede,
se curvando ao Sol.
(O verão tocando meu corpo.)
Abandonando minha mente,
libertando-me dos pesadelos.
Deixando-me partir para a luz,
exatamente no momento em que abro os olhos
e posso respirar mais uma vez."

Letícia Cotta

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