terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Cão. A Raposa.







O quão a sério deve ser levada uma amizade? E não existem inúmeros casos de amizades de infância que adiante foram levadas, mas tantas outras que com o tempo foram esquecidas? Afinal, quem irias socorrer primeiro: A pessoa amada (e nela inclui-se esposa, filhos, mãe, ou qualquer grau de parentesco), ou seu melhor amigo? Você colocaria a cara a tapa e a mão no fogo por um amigo? Ousaria apostar tudo nele, mesmo sabendo que tem muito a perder - mesmo sabendo que está a fazer um mal negócio e que sua aposta possui um valor exurbitante, se comparado a de seu oponente?

Bom, eu faria tudo isso.

Inconsequente que sou, não aprendo até traírem minha confiança. Inconsequente que sou, sou capaz de abandonar um amor só para não estragar ainda mais a amizade. Sou capaz de sofrer aqui, sozinha e perdida, pelo bem dos outros... Mesmo sabendo que no fim sequer se darão conta de minha dor, e tão pouco ligarão para isso. E se ligarem, bom, será por tão pouco tempo que quando derem por si já estarão no futuro. E eu aqui, sarando o coração ferido e morto.

Só quero ficar perto de tudo que eu acho certo...

Também não tenho direito de lutar pelo meu amor? Também não tenho direito em lutar pela amizade? Se tenho essas chances, porque não as uso? Porque o egoísmo não toma conta de meu ser, por completo? Para quê tanta dor? Para quê tanta agonia e tanto remorso? Porque justamente EU sinto dor? Como se já não fosse o suficiente! Como se eu já não tivesse aprendido a lição! Afinal, porquê diabos tornei-me justamente a pessoa que não quer que os outros passem pelo o que passei? Estou tão cansada! Inúmeras vezes me disseram: "Você vai sofrer, pare de tentar. Pare de lutar! Menina, não se levante! Dê-se por morta e se contente com o pouco que conquistou!". Sofrer? Oh! Sofrer, já sofro. Um pouco mais não mata. Essa angústia que não passa, essa ânsia que não some... Esse desejo que não posso controlar, mas que nunca sanarei... Como dói amar o que não posso ter! Como dói amar e existir só um empecilho! Saber que ainda tenho chances, mas a única coisa no caminho é grande demais até para a mais persistente aventureira!

Ninguém vai contar... Ninguém vai saber... Ninguém vai notar...

Sim. Ninguém notará minha dor. E quando tentar dela desfazer-me, ei de dizer: "Não é nada!", pois à ti fiz um juramento! Pois amo-te, e contento-me em honrar-lhe o nome e promessa! Contentarei-me, por um bom tempo, em perseguir borboletas... Na esperança de que uma delas me leve a um novo destino... Na esperança de que uma delas me mostre um novo caminho, um novo companheiro, quem sabe? Quando tudo parece pior é que você não deve desanimar...

Afinal, o quê seria o caçador sem sua raposa para perseguir, e seu cão para ajudar? O único problema é que nessa história toda, eu sou a raposa. A raposa que eternamente procurará por seu companheiro raposo... E que solitária estará, temendo que este tenha sucumbido aos desejos do cão e assim domesticado pelo homem.

Ele pode, não pode? Ele pode...
Feito por: L.Cotta
(Inspirado em "O Cão e a Raposa", um clássico da Disney)



"Eu quero ficar perto de tudo que acho certo, até o dia que mudar de opinião."
Danni Carlos, "Coisas que eu sei"

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