segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crime.

As vezes, tudo o que eu queria era desaparecer. E assim o teria feito, se ele não estivesse lá. Fizesse chuva, fizesse Sol, sempre manteve-se ali. Preocupado, mas não ao ponto de fazer um escândalo. Doce, mas não babando mel. Tínhamos os mesmos defeitos, quase as mesmas manias. Sorríamos por qualquer motivo, e era até espontâneo demais. Corríamos da tristeza e em dobro o fazíamos se nos mencionassem a palavra "Paixão" & "Amor" em uma só frase. Ele não era perfeito. Era dotado de um excesso de liberdade, e de muitos mimos e frustrações. Dono da preguiça e Senhor da ira. Controláva-as ao seu bel prazer. Ele não era alto, mas não era pequeno. Não era nem extrovertido, nem introvertido.

Era só... Ele mesmo.

Ele não precisou agir como um príncipe - como algo que ele nunca será, por mais que tente e invista no "papel" - para ser considerado um. Não precisou escrever inúmeras cartas de amor, tomar veneno por mim, ou passar noites em claro velando pelo meu sono.

Me contentaria com o silêncio do seu olhar e seu sorriso, se eu pudesse fazê-lo sentir paz. Teria seus pesadelos, se isso significasse que ele poderia dormir bem. Teria sua raiva e sua tristeza, se isso significasse que ele poderia ter seu bom humor. Se pudesse zelar pelo seu sono, vê-lo acordar todas as manhãs e ainda implicar só um pouquinho com ele... Se pudesse tocá-lo todos os dias, ou só estar próxima... Tudo valeria a pena.

Mas ele não existe.

Diga-me, agora: É um crime amar quem não existe?
Por quê, para mim, aquele que não pensa em você nem um pouquinho, não existe.

Eu sempre tive o dom de lidar com o vazio, de uma forma surpreendente.
Teria eu talento e paciência, agora? Quem sabe.

Feito por: L.Cotta

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