- Se você o ama, deixe-o partir! - gritou a feiticeira.
- Mas eu o amo! - murmurou a trovadora, chorosa. - Como posso abandonar aquilo pelo qual tão devota sou?
- Amar é por a felicidade de outrem em primeiro plano. - contra atacou a feiticeira, sua irmã gêmea. - Não foi tu que disseste que a felicidade de teu amado seria a tua felicidade? Que faria o que pudesse para protegê-lo? Chegou a hora, garota. Vocês nunca dariam certo, por mais que tentasse. Ele me ama! Quando tocou-lhe, pensava em mim! Não aumente ainda mais a dor dele... Pois ela será a tua dor! Cumpra a tua promessa! Faça jus ao que tanto disseste!
- Mas o quero tanto... - disse, já aos prantos, a trovadora. E, surpreendentemente, levantou-se. Estufou o peito, fechou a mão em punho e secou as lágrimas com a outra. - Se isso o fará feliz, e o manterá protegido, partirei.
E partiu, com a cabeça erguida e olhos a diante.
Mas ela não queria que a feiticeira a visse chorar... Era uma trovadora muito orgulhosa, mesmo sendo poeta. Era forte por fora, mas extremamente frágil por dentro. Fazia-se de durona, de imbatível, mas tudo o que queria no momento era o abraço da pessoa que mais lhe passava segurança e conforto: seu amado.
Mas, querida, ele não estava ai. Nem nunca estaria. Jamais retornaria aos seus braços. Jamais receberia o conforto que tanto almejava, jamais sentiria seu cheiro ou tocaria sua pele. Tão pouco teria contato com seus lábios perfeitos e que a faziam esquecer do mundo todo quando tocados.
E, apesar de todas suas dores, ela se ergueu novamente. Seguiu seu caminho, deixando-o livre para a feiticeira. Desistiu. Não porque não tinha coragem, não porque não podia lutar. Desistiu por amor. Desistiu porque a felicidade de seu bardo estava em primeiro plano.
Pois, até mesmo os amantes um dia tem de partir.
Pois, até mesmo o dia precisa ter fim...
E ela partiu, com o coração na mão. Não olhou para trás. Sabia que sua irmã não cuidaria de seu amado, e muito o magoaria. Sabia que ele não acharia ninguém com um amor tão devoto quanto o dela... Mas a trovadora ainda o tinha em sonhos. Não tinha? Ela ainda poderia sonhar com ele, não podia?
Ele sabia que ela o amava, não sabia? Isso bastava... Não é?
E no fundo de seu coração, bem sabia: Não, não bastava. Nem um pouquinho.
Porque ela seria facilmente substituída.
Mas se partir o deixaria a salvo e feliz... Então ela partiria.
Feito por: L.Cotta
"Cante para que eu adormeça. E não me acorde amanhã. Não quero mais acordar por contra própria... Cante para que eu adormeça. Estou tão cansada! Não se sinta mal por mim... Eu realmente tenho que ir! Cante para que eu durma... Pois há um outro mundo. Há um mundo melhor... Bem, pelo menos deve ter."
Emily Browning
Emily Browning
Nenhum comentário:
Postar um comentário