quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Origami da Primavera.

"Pode não parecer, mas aqui no meu peito tem um coração que pulsa exclusivamente por alguém. Por trás de todas brincadeiras meio brutas, algumas diretas até demais, existe um poço de carinho pronto para ser recolhido e posto em um único balde. Desdobrando-se em dois, existe um origami de um coração avermelhado com pequenas asinhas de Hermes. É um coração bem leve, comparado ao peso que suas muralhas contém... Bem, o papel anda meio amassado. Rasgado, até meio feio e sujo. Mas, é o melhor que eu posso te oferecer no momento.
Mas, veja bem: Sua capa está amassada, mas o interior não! Os amassos mantém-se nas fissuras do origami, no ponto a ponto que interliga sua construção. Não no centro. No centro... Ah! No centro ele está adormecido como todo vulcão. Pronto para ser desperto, pronto para entrar em erupção! Para dar tudo aquilo que o dono desse coração merece... Bem, é verdade que não tenho muito a oferecer.
 Mas, eu vou esperar por você! Quando não existir mais ninguém lá para ti, quando tentares esconder o seu mais profundo estado de espírito... Eu vou estar lá! Porque eu reparo em você como um todo, porque eu quero te ajudar nas horas difíceis e poder rir ao seu lado nos bons momentos da vida. Porque eu quero cuidar de ti, como você bem merece. Porque esse origami que eu seguro em minhas mãos, só pode ser oferecido a ti, caso contrário, ele não cria vida. É como o botão de rosa, o meu pequeno origami: Ele só floresce na estação certa, e quando está devidamente pronto. E você, sem dúvida, é melhor que tudo isso."
Feito por: L.Cotta
"Você não acha triste os botões que não florescem?"
Naruto, "Ino"

domingo, 28 de agosto de 2011

Meu bebê parte.

Eu te vi crescer, mesmo que tu penses que jamais te notei. Eu te vi ficar forte, firme, saudável e decidida, mesmo que penses que tudo o que sei é falar de mim. Silenciosa, anotei detalhe por detalhe. Pétala por pétala, dessa forte roseira! Pois, ao contrário de mim, minha amiga (meu bebê), tu és uma roseira! Queria eu ser tão presa as tuas raízes, e não ter grandes chances de cair neste abismo que nos separa do chão, do ar, do tempo... Vi teus momentos de fraqueza, teus momentos de fúria, até os de egocentrismo, canalhismo (?) e piadistas. Mas jamais seria capaz de abandonar-te!

Eu descobri que vai ser difícil ficar longe de você por tanto tempo.

Descobri que as escolhas são fáceis, mas o tempo é longo ao mesmo tempo que é curto. Que o tempo, a distância, e o espaço são fatores mutáveis demais para quem está envolvido.
Então, minha criança, aprenda de uma vez por todas: Se você sente, você se importa. E que não há como ser racional fora dos estudos ou trabalho, quando você tem que fazer uma escolha.

A minha escolha é a de nunca te deixar. De nunca falhar com você. De estar do seu lado nos momentos bons e ruins, nesse quase-casamento que é a nossa amizade. Pois sou a rosa dessa linda roseira que tu és! E veja, nem todas flores são vermelhas, ou rosas, ou brancas, ou as raras rosas enegrecidas! Algumas também são azuis e possuem tons arroxeados!

Então vá! Voa livre como um pássaro no céu, aproveita as nuvens, foge das tempestades, mas sempre te encontre a observar o pôr e o nascer do Sol! O início e o fim são ótimos, mas saiba aproveitar o intermédio! O PRESENTE! Viva, minha criança. Te desprenda das tuas raízes, que o solo em que nasceste estará sempre lá... E sempre poderá retornar a ele. E quanto a mim?
Eu tenho meus quatro espinhos poderosos (que também chamo de mãos e pés) para afastar qualquer um que tente colher-me do vaso em que tu me deixaste. Mas como já dizia a Rosa, de o pequeno príncipe:



"- É claro que eu te amo - disse-lhe a flor. - Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz... Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.

- Mas o vento...

- Não estou assim tão resfriada... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.


- Mas os bichos...


- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.


E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:


- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora!


Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa ..."
O pequeno príncipe.



Sempre estarei aqui para você, meu bebê. Sempre.
Obrigada por fazer parte da minha vida, Andressa de Assis Rafael! Eu não seria nada sem você.
E eu estarei, sempre, silenciosa e secretamente ao seu lado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No escuro da noite.

"No escuro do meu quarto não tem dor.
Mas também não tem carinho.
O escuro do meu quarto não tem nada,
 a não ser treva e luz.
E porque teria mais?
E porque teria mais,
se a parte é o todo
e se o todo é a parte?
Se só eu poderia preenchê-lo,
moldá-lo, ao bel prazer?
E porque teria mais,
quando minhas mãos estão cansadas
e o meu coração, eu acho, está ferido?
E porque teria mais,
se em minha mente repousa em agonia
e só aceita uma palavra como cura?
Sim.
Diz p'ra mim!
Para qu'eu possa fugir desse quarto escuro
e poder contemplar o brilho do Sol e do luar."
Feita por: L.Cotta

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma dúvida saudável.

"Porque eu gosto de você?

 Sei que o que sinto não se resume a desejo
embora, grande parte das vezes só consiga resumir assim.
 Porque eu gosto de você?
 Talvez por causa daquela sua gargalhada gostosa,
que eu sei que não tem som.
 Talvez por'aquele jeito simples com que lida com a situação,
que eu sei que na sua cabeça é bem complicado.

 Porque eu gosto de você,
quando sei que ao meu redor existe uma série de bons partidos?
 Porque eu gosto de você
se tu nunca fostes melhor ou pior do que os outros?

 E como cheguei neste ponto,
onde os demais são outros e só existe o você?"
Feito por: L.Cotta

Eu te amo porque te amo.
E o amor foge de loucas explicações.

As cartas de um bardo - PT IV(Cartas de uma Trovadora, PT II.)

 "Ó amante meu,
Nestas linhas com o tempo há de desvendar a minha angústia. A ânsia que tenho pelo toque teu. Pela forma tão doce com que dizias meu nome, a força com que me abraçava, ou até o jeito manhoso e preguiçoso com que abria esse par de olhos maravilhoso e tão estranhamente comum - mas, para mim, único.
O meu fim bem é certo, é mais do que previsto e detalhado. Mas não deixarei de escrever-te! Pois aqui em meu peito, meu amor improvável mas não impossível, meu afeto por ti intacto continua! Como dói, ah como dói!, ter-lhe apenas na memória, no passado palpável que é o único vestígio que tenho de ti junto à mim (o pequeno lápis que utilizo para manter o penteado em coque, e que possui mais valor do que o mais caro presente que possa encontrar no mundo), e o corpo que ainda insiste em estremecer de alegria quando recordo-me do toque, e que reside na tristeza quando percebe que este não mais virá.

Tudo o que queria, neste instante, é correr para os braços teus. Mas como poderia, quando teu coração pertence à minha irmã? Como poderia, sabendo que tu tens remorso de nosso amor, ao pensar que iludiu-me quando eu é quem aproveitei-me de tua inocência apenas ao pensar que tu me amavas? Como poderia retornar aos braços teus, quando tão distantes e reclusos estão? E como evitaria a dor que em meu peito reside? Como preencheria a cama vazia? Como evitaria a dor na constância que é amanhecer e adomercer tão só?

Vem para mim, vem para mim! Corre até mim, vence por mim, escreve para mim! Sana meu desejo, minha carência, sana o meu amor, a minha angústia de você. Cura minhas feridas, ao invés de cavar ainda mais o buraco em meu peito! Dá-me uma chance para retornar! Pede uma chance ao mundo! FAÇA essa chance! Diga que meu amor não foi em vão. Ou pelo menos, lute por ela para que minha dor não tenha sido em vão.

Pensa um pouco em mim, como eu penso em você
. Não precisa ser todo dia. Não precisa ser todo ano, nem toda hora... Apenas pensa um pouquinho em mim... Faça como eu faço, mas não pensa como eu penso! Faça o que seu coração e seu corpo mais quiserem, não importando o que seja... Mas faça.

Siga seus instintos, eles sempre estarão certos."
Feito por: L.Cotta

Inspirado em:
http://www.youtube.com/watch?v=L73OLaG4_kA
(The XX - Intro)

"Então dance. Cara, ela/e nunca teve chance."
The Offspring, "You're Gonna Far, Kid."

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Conclusões - PT. II

"A chuva pode estar forte. O calor pode estar insuportável. As marés podem estar furiosas. O vento pode gritar e gritar. Minha dor pode ser insuportável. A saudade pode devorar o meu peito. Pode faltar, pode sobrar, dinheiro. Posso perder amizades, ganhar novas. Posso rir, posso chorar. Posso rir de tanto chorar. E posso chorar de tanto rir. Posso gritar, posso fugir. Posso correr, andar, nadar. Quem sabe voar?

Eu sou, simplesmente, a pessoa mais feliz do mundo.
Com frustrações, alegrias, incertezas, tristezas.
Cheia de defeitos e com poucas qualidades.

Mas sou a pessoa mais feliz do mundo. Ou não. Devo ter poucos, mas bons, concorrentes.
E a vida não teria graça se não fosse incerta e não nos enchessem de obstáculos. As vezes cansa, irrita. Mas sempre estão a nos testar ao máximo, mesmo que nossa vontade seja ter um minutinho de silêncio. Nossa capacidade de mudança, de adaptação. De cura. Tudo isso para nos preparar para a explosão de alegria ou tristeza que teríamos ao perceber que tínhamos tudo e fizemos, ou não, bom proveito."
Feito por: L.Cotta

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O trono da Reflexão

"Acabo de perceber que toda dor é passageira. E que um dia todos encontrarão o que mais lhe trará/trás felicidade (desde que lute, mesmo que minimamente, por tal). Querendo ou não, todos caminhos possuem um fim. Até os rios. Tudo o que podemos fazer é aproveitar (ou não) o percurso, a viagem...
A questão é: Você sabe viver cada dia como se fosse o último?"
Feito por: L.Cotta

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um trecho de uma música...

"De tudo por aí, não sou o pior que há."
Jimmy London, "Pense nisso quando me soltar"


Adorei a música, HAHA!

As cartas de um bardo - PT III. (A feiticeira e a trovadora.)

- Se você o ama, deixe-o partir! - gritou a feiticeira.

- Mas eu o amo! - murmurou a trovadora, chorosa. - Como posso abandonar aquilo pelo qual tão devota sou?

- Amar é por a felicidade de outrem em primeiro plano. - contra atacou a feiticeira, sua irmã gêmea. - Não foi tu que disseste que a felicidade de teu amado seria a tua felicidade? Que faria o que pudesse para protegê-lo? Chegou a hora, garota. Vocês nunca dariam certo, por mais que tentasse. Ele me ama! Quando tocou-lhe, pensava em mim! Não aumente ainda mais a dor dele... Pois ela será a tua dor! Cumpra a tua promessa! Faça jus ao que tanto disseste!

- Mas o quero tanto... - disse, já aos prantos, a trovadora. E, surpreendentemente, levantou-se. Estufou o peito, fechou a mão em punho e secou as lágrimas com a outra. - Se isso o fará feliz,  e o manterá protegido, partirei.

E partiu, com a cabeça erguida e olhos a diante.

Mas ela não queria que a feiticeira a visse chorar... Era uma trovadora muito orgulhosa, mesmo sendo poeta. Era forte por fora, mas extremamente frágil por dentro. Fazia-se de durona, de imbatível, mas tudo o que queria no momento era o abraço da pessoa que mais lhe passava segurança e conforto: seu amado.

Mas, querida, ele não estava ai. Nem nunca estaria. Jamais retornaria aos seus braços. Jamais receberia o conforto que tanto almejava, jamais sentiria seu cheiro ou tocaria sua pele. Tão pouco teria contato com seus lábios perfeitos e que a faziam esquecer do mundo todo quando tocados.

E, apesar de todas suas dores, ela se ergueu novamente. Seguiu seu caminho, deixando-o livre para a feiticeira. Desistiu. Não porque não tinha coragem, não porque não podia lutar. Desistiu por amor. Desistiu porque a felicidade de seu bardo estava em primeiro plano.
Pois, até mesmo os amantes um dia tem de partir.
Pois, até mesmo o dia precisa ter fim...

E ela partiu, com o coração na mão. Não olhou para trás. Sabia que sua irmã não cuidaria de seu amado, e muito o magoaria. Sabia que ele não acharia ninguém com um amor tão devoto quanto o dela... Mas a trovadora ainda o tinha em sonhos. Não tinha?  Ela ainda poderia sonhar com ele, não podia?
Ele sabia que ela o amava, não sabia?  Isso bastava... Não é?

E no fundo de seu coração, bem sabia: Não, não bastava. Nem um pouquinho.
Porque ela seria facilmente substituída.

Mas se partir o deixaria a salvo e feliz... Então ela partiria.
Feito por: L.Cotta


"Cante para que eu adormeça. E não me acorde amanhã. Não quero mais acordar por contra própria... Cante para que eu adormeça. Estou tão cansada! Não se sinta mal por mim... Eu realmente tenho que ir! Cante para que eu durma... Pois há um outro mundo. Há um mundo melhor... Bem, pelo menos deve ter."
Emily Browning

domingo, 14 de agosto de 2011

Porto Seguro.

Onde estás tu, meu porto seguro, quando por ti grito?
Não ouviste meu chamado?
Não sentiste minha dor?

Onde estás tu, meu porto seguro, quando por ti grito?
Não tenho um porto.
Tão pouco seguro.

Só tenho à ti, meu coração.
Então fortalece tuas muralhas, antes que se desfaça em pedaços.
Em pedaços de pedaços.
Não importa como
Não importa quando

Mas te fortalece, coração!
Fortalece tuas muralhas,
Proclama teus direitos,
Grita com teus soldados!
Mas te ergue, meu coração.

Não aguento mais vê-lo assim.
Não aguento mais sentí-lo em migalhas.
Não aguento mais observá-lo se auto destruir.

Te fortalece, meu coração...
Apenas te fortalece.
Pois adeus à ti não darei.
Feito por: L.Cotta

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um desejo.

Só queria que alguém sentisse. Só queria que alguém notasse. Só queria que alguém sorrisse. Só queria que alguém chorasse. Só queria que alguém estivesse aqui...

Será que você pensa em mim? Será que você sorri, ao fazer isso? Será que você chora? Será que você gosta? Me diz. Eu preciso de uma resposta. Preciso te abraçar. Te sentir, te tocar. Preciso de você, necessito o meu querer.

Eu queria que alguém notasse quando o meu sofrer se torna evidente, por mais que o disfarce. Queria correr para os braços teus, implorando por carinho. E lá tenho culpa se tu és o único em que confio? Queria te sentir, queria te tocar. Queria não chorar, pensando em te perder. Queria não amar, queria não sofrer.

Querer não é poder.

É por isso que eu tento. É por isso que eu luto.
Desprendo-me de comentários sobre facilidade ou dificuldade, desligo-me da conquista, concentro-me na caçada. Sempre a conquistadora, não a conquistada. E quem sabe tenha sido conquistada para conquistar.

Meu amor, deixe os jogos para quando nossos corpos estiverem próximos, não para quando estiverem distantes...

Se tu tivesses idéia da dor que eu suporto quando não estás - como se tomassem de meus braços o que tanto desejei, não dando direito sequer ao motivo! Se tivesses idéia da dor que eu suporto quando penso em ti! Na incerteza, a minha impaciência! Qual a dificuldade em ser intenso? Porque não degustar do mesmo prato?

Será que você pensa em mim como eu penso em você?
Será que você pensa em mim o mesmo tanto que o faço?
... Será que você pensa em mim?

Feito por: L.Cotta

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Querer não é poder.

Odeio esperar. Odeio incerteza. Amo intensidade. Simples assim: Saborear até nada mais restar. E mais além, bem além! Degustar o que não mais existir. Aí então eu estarei satisfeita.
Mas eu quero tudo. Mas eu quero mais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Cão. A Raposa.







O quão a sério deve ser levada uma amizade? E não existem inúmeros casos de amizades de infância que adiante foram levadas, mas tantas outras que com o tempo foram esquecidas? Afinal, quem irias socorrer primeiro: A pessoa amada (e nela inclui-se esposa, filhos, mãe, ou qualquer grau de parentesco), ou seu melhor amigo? Você colocaria a cara a tapa e a mão no fogo por um amigo? Ousaria apostar tudo nele, mesmo sabendo que tem muito a perder - mesmo sabendo que está a fazer um mal negócio e que sua aposta possui um valor exurbitante, se comparado a de seu oponente?

Bom, eu faria tudo isso.

Inconsequente que sou, não aprendo até traírem minha confiança. Inconsequente que sou, sou capaz de abandonar um amor só para não estragar ainda mais a amizade. Sou capaz de sofrer aqui, sozinha e perdida, pelo bem dos outros... Mesmo sabendo que no fim sequer se darão conta de minha dor, e tão pouco ligarão para isso. E se ligarem, bom, será por tão pouco tempo que quando derem por si já estarão no futuro. E eu aqui, sarando o coração ferido e morto.

Só quero ficar perto de tudo que eu acho certo...

Também não tenho direito de lutar pelo meu amor? Também não tenho direito em lutar pela amizade? Se tenho essas chances, porque não as uso? Porque o egoísmo não toma conta de meu ser, por completo? Para quê tanta dor? Para quê tanta agonia e tanto remorso? Porque justamente EU sinto dor? Como se já não fosse o suficiente! Como se eu já não tivesse aprendido a lição! Afinal, porquê diabos tornei-me justamente a pessoa que não quer que os outros passem pelo o que passei? Estou tão cansada! Inúmeras vezes me disseram: "Você vai sofrer, pare de tentar. Pare de lutar! Menina, não se levante! Dê-se por morta e se contente com o pouco que conquistou!". Sofrer? Oh! Sofrer, já sofro. Um pouco mais não mata. Essa angústia que não passa, essa ânsia que não some... Esse desejo que não posso controlar, mas que nunca sanarei... Como dói amar o que não posso ter! Como dói amar e existir só um empecilho! Saber que ainda tenho chances, mas a única coisa no caminho é grande demais até para a mais persistente aventureira!

Ninguém vai contar... Ninguém vai saber... Ninguém vai notar...

Sim. Ninguém notará minha dor. E quando tentar dela desfazer-me, ei de dizer: "Não é nada!", pois à ti fiz um juramento! Pois amo-te, e contento-me em honrar-lhe o nome e promessa! Contentarei-me, por um bom tempo, em perseguir borboletas... Na esperança de que uma delas me leve a um novo destino... Na esperança de que uma delas me mostre um novo caminho, um novo companheiro, quem sabe? Quando tudo parece pior é que você não deve desanimar...

Afinal, o quê seria o caçador sem sua raposa para perseguir, e seu cão para ajudar? O único problema é que nessa história toda, eu sou a raposa. A raposa que eternamente procurará por seu companheiro raposo... E que solitária estará, temendo que este tenha sucumbido aos desejos do cão e assim domesticado pelo homem.

Ele pode, não pode? Ele pode...
Feito por: L.Cotta
(Inspirado em "O Cão e a Raposa", um clássico da Disney)



"Eu quero ficar perto de tudo que acho certo, até o dia que mudar de opinião."
Danni Carlos, "Coisas que eu sei"

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cisne Negro.

E na noite escura
O semblante, o parecer
E na noite escura,
Observo-o sofrer.
E na noite escura,
 Vejo-o agonizar.
E na noite escura,
 Procuro te salvar.

Oh solitário cisne negro,
 tu perdeste teu amor para teu gêmeo albino?
Oh solitário cisne branco,
 tu sofreste por dividir um amor com teu parente?

E na noite escura,
 um dos cisnes decaí.

(Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora...)

 Oh solitário cisne negro,
 tu perdeste teu amor para teu gêmeo tão belo?
 Tu triunfaste por egoísmo, fenecendo na miséria
... E sendo esquecido em meio a neve?
Quando tua dor terá fim?
Quando um cisne amará por uma vez mais?

Quantas vezes é preciso morrer para saber que se esteve vivo?
Quantas vezes terei de dizer que cisnes são criaturas belas demais para sofrerem assim?

Teu parceiro lá está, a sofrer pelo teu gêmeo esbranquiçado...
A culpar-te por uma morte não induzida.
Sendo que tudo o que fizeste foi amar em demasia!

Oh solitário cisne negro,
tu sofreste por amor?
Feito por: L.Cotta

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Olhos de ressaca.

Se você olhar para uma mulher (ou até mesmo um homem) que ama de verdade, verá que seu olhar é cheio de ternura, de paixão. Sempre com um gostinho de "Quero mais". Não sossega a coisa amada, seguindo-a de ponta a ponta, mesmo à distância... E seu sorriso? Ah!... Seu sorriso é o mais belo. Ele é doce, mas ela o tenta conter.  Ele foge. E nem sempre a mulher o recupera. Seu olhar vem e vai, e foge e volta, e corre e anda. Aumenta e diminui sobre a pessoa amada, como se fosse várias ondas no mar. O amanhecer do litoral, onde o mar mantém-se de ressaca: Seu olhar parece devorar quem se põe em seu caminho. Seja ele, seja ela. A tudo engole, até à coisa amada... E o degusta. AH!, como o degusta!
Os olhos de ressaca de uma mulher parecem querer devorá-lo, puxá-lo para dentro dela e alimentá-lo com tudo o que ela pode oferecer. Uma paixão avassaladora, enganosa, até fatal para aqueles que não estão preparados. E como não o seria? Essa é a graça do mar: sua instabilidade, e ao mesmo tempo sua paz. Incontrolável, mas pacífico quando deixado em silêncio com seus habitantes.

A ressaca do mar puxa todos aqueles que ousam entregar-se às suas águas. Então, não guerreie com sua correnteza: É inútil lutar contra algo que é bom.

Porque negar o que te faz bem?

Então, caro leitor, se um dia avistares um ser com olhos de ressaca, não duvide da força do amor e de sua existência... Ele é raro despertar, mas quando o faz manifesta-se de inúmeras formas...
Um dia, um idoso. No outro, uma garotinha frágil...

Feito por: L.Cotta


"Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar."
Caio Fernando de Abreu.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crime.

As vezes, tudo o que eu queria era desaparecer. E assim o teria feito, se ele não estivesse lá. Fizesse chuva, fizesse Sol, sempre manteve-se ali. Preocupado, mas não ao ponto de fazer um escândalo. Doce, mas não babando mel. Tínhamos os mesmos defeitos, quase as mesmas manias. Sorríamos por qualquer motivo, e era até espontâneo demais. Corríamos da tristeza e em dobro o fazíamos se nos mencionassem a palavra "Paixão" & "Amor" em uma só frase. Ele não era perfeito. Era dotado de um excesso de liberdade, e de muitos mimos e frustrações. Dono da preguiça e Senhor da ira. Controláva-as ao seu bel prazer. Ele não era alto, mas não era pequeno. Não era nem extrovertido, nem introvertido.

Era só... Ele mesmo.

Ele não precisou agir como um príncipe - como algo que ele nunca será, por mais que tente e invista no "papel" - para ser considerado um. Não precisou escrever inúmeras cartas de amor, tomar veneno por mim, ou passar noites em claro velando pelo meu sono.

Me contentaria com o silêncio do seu olhar e seu sorriso, se eu pudesse fazê-lo sentir paz. Teria seus pesadelos, se isso significasse que ele poderia dormir bem. Teria sua raiva e sua tristeza, se isso significasse que ele poderia ter seu bom humor. Se pudesse zelar pelo seu sono, vê-lo acordar todas as manhãs e ainda implicar só um pouquinho com ele... Se pudesse tocá-lo todos os dias, ou só estar próxima... Tudo valeria a pena.

Mas ele não existe.

Diga-me, agora: É um crime amar quem não existe?
Por quê, para mim, aquele que não pensa em você nem um pouquinho, não existe.

Eu sempre tive o dom de lidar com o vazio, de uma forma surpreendente.
Teria eu talento e paciência, agora? Quem sabe.

Feito por: L.Cotta