Ele me encarou, pediu, repetiu, e pensou. Amou, me odiou. Desejou minha morte. Ainda sim, não deixei de o desejar. Não deixei de amar, não deixei de suportar as dores dele, e as minhas. Não deixei de sentir dor, mas também não deixei de sonhar.
Eu o quero, é o que penso todas noites.
Cada resquício celular em meu ser necessita de seu toque suave, cada átomo necessita ser transformado. Eu o desejava. Desejava como nunca.
Ele era o pulso involuntário do meu coração: Fazia-o bater contra sua vontade! Algumas vezes, rápido. Outras, porém, quase o fazia parar. Cruel? Talvez. Mas grata ficava, todas as vezes em que tirava-me o ar. A respiração de uma apaixonada. O ofegar doentio e contínuo, tão embriagado pelo sentimento. Era ingênua, mas sincera. Que mal havia? Digo-lhe: Nenhum! Nenhum senão o mal de amar! Amar? Amor! Sentimento cruel, porém devasso. Suga até o mínimo de suas forças - se é que forças lhe restam. Embriaga seu sistema, corrói-lhe aos poucos.
No fim, tudo o que resta é uma alma chorosa implorando por um pouquinho de amor.
O amor não volta, não para a mesma pessoa - e não duas vezes; o amor é um só. Único e insaciável - correrá para os braços do verdadeiro par, uma ou outra hora. Talvez demore, ou não.
O meu não voltaria.
Então, entristecida, desvencilhei-me de seu corpo.
Não, pensei. Não quero que sofras por mim, não hoje e nem amanhã.
Não entendes? Sofro! Sofro por tua renúncia! Porque temes tanto? Temes à mim? Dei minha vida por ti! Tudo o que peço é um último toque em sua alma, para que descanse em paz!, ele gemeu. Ansio por ti, há tanto tempo!
Também, meu amigo. Há tempos, Léo... Mas não podemos. Sofreremos eternamente - eu no real e você no imaterial - e é a última coisa que desejo. Tudo pela sua felicidade... Pelo seu descanso. , disse em um sussurro.
Então eu serei eternamente teu., interrompeu-me ele.
Então eu serei eternamente tua., disse-lhe.
A flecha que atingira o meu amor estava envenenada. Quem diria: Léo, o representante do clã da Luxúria, faleceria em meus braços. Morto por uma flecha. Uma flecha contra um ser tão sábio, tão devasso, tão cruel... E ao mesmo tempo tão perfeito!
Retirei o objeto de seu corpo, com muito pesar.
Essa seria a última vez que veria suas mechas rubras com um brilho tão intenso, e suas esmeraldas tão miseravelmente chamadas, atualmente, de olhos."
Feito por: L.Cotta

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