terça-feira, 2 de março de 2010

"O Retrato de Dorian Gray"


Certo dia terminei de ler "O Retrato de Dorian Gray", e encontrei-me meio perplexa. Serei sincera, é dificil um livro me surpreender. Mas... Céus!, como eu fiquei triste quando Basil Hallward foi assassinado! Digo, eu me identificava com esse pintor! Ele era tão puro, e tão... Tão protetor! Own... Que dor que senti!
No entanto, cheguei a conclusão de que todos nós temos um pouco de Mrs. Gray. Digo, ele foi facilmente influenciado e se tornou... um monstro belo e mortal, talvez. O que a beleza e o dinheiro não fazem com as pessoas, não?
Ainda acho que o culpado de tudo é Lord Henry. Ele que influenciou Gray. Por exemplo, creio eu que Dorian não seria aquele monstro que se tornou caso não se adaptasse ao estilo sombrio de Henry, certo? Ele até pode conviver bem com isso, mas nosso Dorian não.
Até que ponto você é flexível? É bom ceder? É bom ser influenciado? Não sei responder a todas essas perguntas, mas existem dois trechos no livro, ADAPTADO, que amo muito.
Seriam eles:



"Romeu era um senhor com a forma de um barril de cerveja, Mércurio era quase tão ruim quanto Romeu. Mas Julieta!... Harry, imagine uma garota, que mal completou dezesseis anos, com um rosto de flor e tranças castanho-escuras, olhos que eram poços de paixão de cor violeta, lábios como pétalas de rosa! Era a coisa mais adorável que eu jamais havia visto. E a voz profunda e baixa no início e depois alta e doce como uma flauta. Harry, eu a amo! Ela é tudo para mim. Todas as noites vou vê-la representar. Cada noite ela muda de personagem. Já a vi em diferentes épocas e trajes. Mulheres comuns são limitadas ao seu século. Não há mistério nelas. Pela manhã, andam a cavalo, no parque; à tarde conversam tomando chá; têm seu sorriso estereotipado e seu jeito ditado pela moda. Mas uma atriz! O quanto é diferente uma atriz! Harry! Por que você não me disse que a única coisa que vale a pena é amar uma atriz?"

&

" - Sim - exclamou - , você matou o meu amor. Antes você mexia com minha imaginação, agora não mexe nem com a minha curiosidade. Simplesmente não produz nenhum efeito. Eu a amava porque tinha gênio e intelecto, porque concretizava os sonhos dos grandes poetas e dava forma e substância às sombrass da arte. Jogou tudo fora! Você é superficial e estúpida.
(...) Você mostra que sabe muito pouco do amor, ao dizer que estraga a sua arte! Sem sua arte, você não é nada! Eu teria feito você famosa. E o que você é agora? Uma atriz de terceira classe, com um rosto bonito."

E do livro, traduzido, original:

"O artista é o criador de coisas belas.
O objectivo da arte é revelar a arte e ocultar o artista.
O crítico é aquele que sabe traduzir de outro modo ou para
um novo material a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, tal como a mais rasteira, forma de crítica é
um modo de autobiografia.
Os que encontram significações torpes nas coisas belas são
corruptos sem sedução, o que é um defeito.
Os que encontram significações belas nas coisas belas são os
cultos, Para esses há esperança.
Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenas
significam Beleza.
Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livros
são bem escritos, ou mal escritos. E é tudo.
A aversão do século XIX pelo Realismo é a fúria de Caliban
ao ver a sua cara ao espelho.
A aversão do século XIX pelo Romantismo é a queixa de
Caliban por não ver a sua cara ao espelho.
A vida moral do homem faz parte dos temas tratados pelo
artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de
um meio imperfeito. Nenhum artista quer demonstrar coisa
alguma. Até as verdades podem ser demonstradas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num
artista é um maneirismo de estilo imperdoável.
Um artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.
Sob o ponto de vista da forma, a arte do músico é o modelo
de todas as artes. Sob o ponto de vista do sentimento, é a
profissão de actor o modelo.
Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que
penetram para além da superfície, fazem-no a expensas suas. Os
que lêem o símbolo, fazem-no a expensas suas.
O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte revela que
a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está em consonância
consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem que faça alguma coisa útil,
contanto que a não admire. A única justificação para uma coisa
inútil é que ela seja profundamente admirada.
Toda a arte é completamente inútil."

Eu preciso dizer mais alguma coisa? Sei que esses trechos são do Dorian, mas... Bom, se eu começar a falar do Basil de novo eu vou começar a chorar. Sabe como é, eu penso como ele. "Tudo é arte". .-.


Avec amour,
L.Cotta

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