sábado, 13 de fevereiro de 2010

Majestade.




" 'Majestade, você mudou tanto', murmurei, em um tom meio seco - mas, como sempre, com uma pontada de dor lá no fundo. 'Uma ave de grande porte, para uma asa tão pequena, não?', cospi mais algumas palavras, segurando a muralha com tudo o que podia. 'Eu falhei de novo... Eu sei como odeia incompetência', disse-lhe, dessa vez segurando o choro. 'Eu só queria ajudar, Majestade. Provar apenas uma vez na vida que essa asa ainda pode bater.'

E eu desabei.

'Você não se importa com o corpo da ave, não é? Com suas asas, com suas garras, com seu vôo! Preocupa-se apenas em alimentar suas crias, não é? Seus desejos!', gritei, sem vergonha alguma da cena que fazia no momento. 'Fico feliz em saber que não lhe fui completamente útil - se é que útil eu fui. Mas isso pelo menos significa que não servi à um ser tão falso.', estendi o braço. 'Um ser falso que tanto amo... E sairia da terra dos mortos, mais uma vez, para lutar, como uma marionete.'

Fechei a mão em punho, e soltei um pequeno suspiro.

'Mestre, sua asa é tão frágil assim para você não usá-la mais em batalha? Porque você arrancou suas asas e implantou novas? Elas fazem tanta diferença assim? Fazem o mesmo trabalho? Não responda.', segurei o rosnado de ódio que surgiu em meu peito. 'E no fim, àquele deus roubou-lhe os súditos e a coroa. Mas não sua guerreira. E cá estou eu, fazendo o trabalho sujo!', grunhi. 'Dá-me asco! Imploro ao Tártaro para que você volte ao lixo que era antes de mesmo ser um ser humano! Oh, esqueci. VOCÊ NUNCA FOI! Não passa de um ridículo, inseguro e insensível ser atrás de um bloco de pedra!', transformei o próximo rosnado em um miado. ' ...E eu aguardarei em seu trono, esperando para que volte e me tome em seus braços.'

Dizendo tais palavras, eu simplesmente perdi a consciência.

A besta apocalípitca perecera mais uma vez, mutilada."
Feito por: L.Cotta

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