" - Bastardo! - gritou ela, desferindo-lhe um tapa que o partiria em dois ,caso não medisse a própria força. - Tão frágil, tão maleável! - murmurou contra a garganta desprotegida - Tenho pena de você!
- Deveria ter pena de si! Oh, perdoe-me. Esqueci que o mundo não teve piedade. É porque é especial, não é? Ah, perdoe-me, novamente! Esqueci que não possui talentos! - zombou, pausou, e prosseguiu em um último sussurro de dor - Sequer satisfaz!
Aquelas palavras ásperas bateram contra seu peito vazio. Banhou-se em seu sangue, deixando que o rapaz contemplasse a própria morte. Lenta, e muito dolorosa. Cada ponteiro do relógio parecia adiar seu fim. Fora do controle, ela pisou em sua cabeça como quem estoura um balão. E em seguida riu. Riu muito.
- Tudo que perdemos retorna para nós no final, me petit - disse a ruivinha francesa, para o corpo mutilado.
Então a dor finalmente veio. A repulsa, o ódio, a tristeza, a consciência pesada. O medo.
- Socorro. Eu tenho duas faces: Uma para Deus, e uma para o mundo! - Sussurrou - Eu estou com medo, muito medo! Eu estou sendo estuprada de novo e de novo!
Ficou a observar a lua durante alguns minutos. Balançou a cabeça, e voltou a banhar-se, risonha e feliz.
- Se todas minhas vítimas fossem tão fascinantes quanto ti, me petit , eu daria cabo à este vício. - pausou, umedecedo os lábios. - Afinal, nada mais sou do que uma atriz boa e bela que busca por amor em uma lata de lixo, não? - Pausou novamente, prosseguindo. - Infelizmente elas são fascinantes.
E, dizendo tais absurdos, suicidou-se."
Feito por: L.Cotta
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