domingo, 25 de dezembro de 2011

Águia



"E me pergunto quando verei aquele seu sorriso de novo. Tão cheio de dúvidas e incapaz, mas ainda sim forte e espontâneo. Me pergunto se ainda vou ouvir o som da sua risada e perceber que sua respiração foi abafada pelo silêncio entre nós e suas lágrimas.
E tudo o que desejo é manter-te aqui em meu peito, envolto em meus braços, meu doce amigo. Ninando-o como uma mãe faz ao filho. Contando-lhe histórias, contando-lhe sonhos e propostas. Ensinando-o a superar sua própria dor, a se recompor. Como se eu fosse tão forte e tão experiente na luta da vida!
Ah, meu amigo. A verdade é que o tempo não vai conseguir te tirar de mim. Eu e o tempo fizemos um acordo, e em troca de grilhões algemas e mordaças em meu ser, em minh'alma, ele me deixaria em paz.
Mas por quanto tempo minha essência resistirá?
Até que tu consigas levantar e lutar sozinho outra vez, meu amigo. Ficarei tempo suficiente para proteger-te de tudo e de todos que tentarem te causar mal. Minha ave ferida. Tão livre, tão feroz, tão companheira. Sempre planando ao meu lado.
Juntos, nós dominamos a noite. A guia e a àguia."
Letícia Cotta.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Everything

"Porque a chama, que insiste em criptar, é sempre uma opção mais encantadora do que a sombra, que persegue e se rende à noite mesmo sendo tão devota à luz do dia. E baby, nós somos essa chama - então não a apaguemos, como se faz com as que nascem em velas, em cativeiro. Vamos mantê-la viva, em nossos corações, em nossos corpos, e em nossa essência."L.Cotta

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Poor Princess


"Eles querem a princesa, mas se esquecem de que a abandonaram na torre, pronta para ser devorada por dragões ou cometer um suicídio ao pular lá do alto.
E quando chegam - quando caem em si - , já não mais está. Ora, se por vezes tanto a magoam, teria ela o direito de abandonar a torre?

Limito-me a criar repúdio, talvez até certo nojo, de tão famosos (E os não tão famosos assim) escritores de ficção - seja ela infantil ou não.

Eis a pergunta: Se a princesa tanto esperasse, se tanto exposta frente a tanto medo e dor, teria ela virado a vilã ou a guerreira? Por vezes me recuso a acreditar em castelos, num campo cheio de girassóis e petúnias e orquídeas, num dragão ferido ou intacto. Por vezes, recuso-me a sonhar - sendo o sonho minha fonte da vida. Então me exponho à criação.  Creio que eu teria sido a princesa que se tornou uma anti heroína. Um meio termo entre vilã e guerreira - deixando toda sua delicadeza escondida. Parece forte, só para esconder a vulnerabilidade.  Infelizmente, a anti heroína sempre aprende no último instante em desconfiar de todos até o último segundo. Infelizmente, a anti heroína sempre é deixada para trás (ou ante ao seu espírito de pseudo-heroísmo, se deixa levar, ficando para trás para salvar quem vale a pena) e nem sempre tem tempo suficiente para a reação - odiando, assim, ser pega de surpresa pelas pessoas que não confia.

 Eis o ponto: Anti heróis nunca são recompensados. Sempre são mal vistos até o último segundo. Sempre fazem o certo pelas vias quase sempre tortas. Anti heróis são muito similares a princesas - daí surgindo minha tese.  Afinal, ninguém gosta de ficar sempre esperando. O melhor sempre sai de nossas mãos - e não através de terceiros."
L.Cotta

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Oceano


‎"E sinto falta.

Falta das coisas que nunca tive.
Do amor que nunca vivi.
Da vida que emanava de meu ser.
Do sorriso que escapa fácil.
E sinto falta! Tanta falta!
Dos que velejam os mares,
daqueles, sim, daqueles...
Daqueles velhos tempos,
e dos seus seres que se aprofundam
sabiamente, no majestoso oceano
junto às bolhas que lhes escapam.

Sinto falta do que nunca tive,
da intensidade que sempre senti
dos tempos que já passaram
e dos que ainda estão por vir.
Sinto falta, tanta falta
do sorriso que contive
da lágrima que desperdicei
e do que tanto reneguei.

Sinto falta de ti,
ainda que saiba
que estou tão errada.
Ainda que saiba
que tu já não me deseja.
Sinto falta, tanta falta
do sim que me veio sem hesitação,
quando meus lábios só diziam não.
(Temo que minha boca tenha refletido
apenas ao meu medo, e não ao meu desejo.)

Abençoa-me com teu carinho
Protege-me com teu ser.
Eu prometo, meu anjo, ser o que nunca fui.
Tão boa ser por fora, como por dentro sei que sou.
Libere-me, deixa que eu demonstre meu amor
Deixa que demonstre meu carinho
Proteja-me, acalenta-me.
Tão boa ser por fora, como por dentro sei que sou."
Letícia Cotta

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Reflexão: I wanna see.

Sinto falta do que não sinto,
tenho falta da presença que não tive,
temo o que não tenho.

Sinto falta do meu peito transbordando,
quando atualmente ele está pelas metades.
Sinto falta do sorriso que escapou,
das lágrimas que caíram,
dos abraços que perdi,
da vida que vivi.

Sinto falta do que não tenho,
abraçando sempre o que não é meu
(Tão estranho ser receptiva aos olhos teus)
Sinto falta do que já tive,
observando assim de longe.

Sem nunca mover, mas sem nunca parar.

(Me cansei do meio termo.
Os extremos retornaram.
A força também)