quinta-feira, 28 de abril de 2011

A pequena sereia. - Trechos

A sereiazinha nadou até a janela do grande aposento,
e, de cada vez que se alçava, percebia através dos
vidros transparentes uma quantidade de homens
magnificamente trajados. 0 mais belo deles era um
jovem príncipe muito elegante
, de longos cabelos
negros
, com a idade ao redor dos dezesseis anos e
era para celebrar sua festa que todos aqueles preparativos
estavam sendo realizados.
(...) Então, para salvá-lo, ela atravessou a nado a distância
que a separava do príncipe
, passando pelos destroços
do navio, arriscando-se a se machucar, mergulhou
profundamente nas águas por várias vezes e assim
pôde chegar até o jovem príncipe, justamente no instante
em que suas forças começavam a abandoná-lo e quando
ele já fechava os olhos, a ponto de estar para
morrer.
(...) Logo depois, uma das moças passou por ele; no início
pareceu assustar-se, mas logo a seguir, foi buscar
outras pessoas, que começaram a tratar do príncipe.
A sereia viu-o recobrar os sentidos e sorrir a todos
aqueles que tratavam dele; só não sorriu para ela,
pois não sabia que o havia salvo. E assim, logo que o
viu ser conduzido para uma grande mansão, ela mergulhou
tristemente e voltou para o castelo de seu pai
.
A sereiazinha sempre fora silenciosa e pensativa; a
partir desse dia, ficou muito mais ainda
. Suas irmãs
perguntaram-lhe o que ela vira lá em cima, mas ela
não quis contar nada
.
(...) Ao aproximar-se a noite, acenderam lanternas de vá-
rias cores e os marujos começaram a dançar alegremente
no convés. A sereiazinha lembrou-se da noite
em que ela os vira dançar pela primeira vez. E come-
çou a dançar também, leve como uma borboleta e foi
admirada como um ser sobre-humano.
Mas é impossível descrever o que se passava em seu
coração; no meio da dança, ela pensava naquele por
quem deixara sua família e sua pátria, sacrificando
sua bela voz e sofrendo inúmeros tormentos- Essa
era a última noite em que ela respirava o mesmo ar
que ele, em que poderia olhar para o mar profundo e
para o céu cheio de estrelas. Uma noite eterna, uma
noite sem sonhos e aguardava, já que ela não possu
ía uma alma imortal. justamente até a meia-noite
a alegria reinou em torno dela; ela própria ria e dan-
çava, com a morte no coração.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A tentativa.

"Todo tempo que perdi,
agora me tem feito efeito.
Já não posso mais sorrir.
Já não reconheço aquele sujeito.

Todo tempo que perdi,
por vezes me tem feito mal.
de tantas vezes que menti,
(se é que menti) de tanta coisa que escondi.

De todo mal que me fizeste,
foi pelo bem que perdeste
Onde já nos olhos não descansam lágrimas
E no céu já não há tanta, assim prometida, dádiva.
Já lastimo, hoje em dia, o pouco que me fora tirado.
O que não tinha, me fora roubado.

Como pode se perder o que não se têm?
Se outrora dizeis que contém
o fluxo completo,
estarás errado.
ou no mínimo incorreto.

Dizeis, por certo,
que não há reverso.
Que há somente a cantiga,
e que em lugar algum somente há fadiga.

De todos os males espantados,
este me é, por certo, o mais delicado:
a cantiga de amor,
a única cantiga que carrega a dor.

Silenciosa.
Inerente.
Inconsequente.
Platônico.
irônico..."
Feito por: L.Cotta

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Flor do Inverno

"Eu já não sei até onde eu posso ir,
por onde devo andar
ou quando parar de contar.

Já não sei mais quantos sonhos eu tive,
e quantos já desisti de sonhar.
E me pego pensando dia pós dia,
em como poderia ter sido diferente
mas por medo meu ou implicância alheia, isso não me ocorreu.

Pergunto-me quantas vezes já fiz o que queria,
e o que eu tinha que fazer, enfrentando todas consequencias possíveis e imagináveis
Acho que não sei a resposta,
mas não me importo de não saber.

Pois a vida é uma só, e prefiro sofrer por tentar
do que arrepender-me de não tê-lo feito."
feito por: L.Cotta

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Flor do Verão

"talvez eu já não seja aquela doce flor do amor
quando, regada a doce pranto, abria-se com temor.
talvez eu já não seja aquela intensa flor de felicidade
que, quando exposta ao Sol, queima-se todas pétalas e folhas e caule.

Mas talvez eu seja, se isso bem for verdade,
a doce e intensa flor da paixão.
Que é regada no desespero
esquecida em meio aos prantos
exposta ao Sol, mas que persistente, curva-se à sombra.

Talvez eu seja, de certo modo,
e se isso bem me for vontade,
a doce flor da compaixão,
que quando vê o coração quebrar-se num temor,
correndo é plantada para espantar todos os males.

Mas é mais provável que eu seja,
inconscientemente,
a triste flor da solidão,
esquecida junto às demais flores.
Mas sempre a mais incolor.
Muito provavelmente eu sou,
a flor que é colida as pressas,
e que sorridente desabrocha, tornando-se rosa,
aos teus olhos.

E por fim, bem, beleza e verdade ganha.
Afasta-se do incolor e indolor. Torna-se, por si só, viva.
Quem sabe admirável.

Esse é o poder que só os teus olhos tem sobre mim."
Feito por: L.Cotta

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Princesa Solarius


"A princesa de Solarius vaga sozinha à noite,apenas com uma rosa na mão
e abraçada à um livro.

[Hmmm. Na, na, na...

Ela sorri, descalsa na chuva,
[sempre observada sendo por um par de olhos castanhos
Pisando na grama, na lama
espinhos fincando na planta doce de seus pés.
Rosa que pouco a pouco se despedaça.

Continua abraçada à seu livro, resignada.

[Hmmm. Na, na, na...

E permanece ali, em meio ao tão misterioso pátio do próprio bosque
[Estou chorando? Estou triste? Devo ficar ou devo ir?
Sob a lua minguante, a princesa desaba.
Sob o pátio, a princesa cai.

O livro rola de suas mãos, metros à diante.
[Onde você está? Eu preciso de você...

Princesa Solarius não fala.
Princesa Solarius não ri.
Princesa Solarius não dança.
Princesa Solarius não sorri.
Princesa Solarius não canta.
Princesa Solarius não ama.

Princesa Solarius trocou seu império
... abdicou do dia para partir à noite.
Princesa Solarius trocou seu império celestial,
por um noturno.

Princesa Solarius não existe mais.
Princesa Solarius não brinca mais.

Vazia está, regada pela dor de seu amor.
Vazia está, vergada que é a paixão de su'alma.
Valorizando nada além de tudo...
... e tudo além de nada.

[Hmmm... Na, na, na.
Fuja da noite, desvencilha-te de teu brio.
de teu frio
de teus rios, que em lábios desaguam.
Fuja de tuas lágrimas, tão doentemente dóceis.

[Um par de olhos castanhos observa a princesa caída.
 Hmmm, na, na, na.

Acolhe-na.
ergue-a.
rega-a.
ama-a.

Princesa Solarius não está só.
... e ela sabe
que mesmo num mundo de trevas, de noite eterna
de escuridão, de paixão, de frescor e luxúria.
No fundo ela sabe:
É rainha do novo império,
porque seu brilho atrai muito além de luz.
muito além de vida.

Ela é alegria, é paixão.
Comoção. Reação. Ação.

Princesa Solarius não está só.
Princesa Solarius sempre será solar.
Jamais o dia se entregará à noite.

Pois até mesmo enquanto ela observa-te dormir,
no fundo ela sabe:
o Sol sempre se esconde atrás da Lua.
no fundo ela sabe:
Depois da noite o Sol sempre nasce."
Feito por: L.Cotta