domingo, 6 de fevereiro de 2011

We Remain: Part 1

                                          We Remain.
                                             - ...under my bed.
{Part 1}


“… Perdão? O Senhor disse morto?”

Eu teria gostado de lhe perguntar se gostava de lírios ou rosas, na verdade. Pergunto-me se teria sido diferente, se não tivesse tudo ocorrido tão rapidamente. Ou lentamente. Tenho uma noção de tempo um tanto quanto desnecessariamente maquiavélica e inconstante. Rápida demais quando tem que ser lenta.  É sempre muito difícil parar. Não impossível. Apenas difícil.
Como explicaria à minha pequena sobre o ocorrido?

“Oh, my fucking god. Como explicarei à Ain Soph?”, disse em voz alta.

“Seja sincera, minha senhora”, o cirurgião respondeu. “Ela pode ser uma mera criança, mas não é burra, cega, ou surda. Pelo menos, não ainda”, completou.
Na verdade, bem sabia, o cirurgião havia dito tudo isso só para me confortar. Não. Não. Ain Soph não entenderia. Ela bateria os pés e gritaria, e gritaria, e gritaria... Até finalmente dormir chorando em meus braços. Determinada em terminar com tudo isso logo de uma vez, fui para casa.

“Mamãe! Mamãe, cadê o titio Sanders?”

“Titio Sanders foi dormir, my little kitten

“Titio Sanders nunca iria dormir sem ler uma histórinha pra mim!”, Ain Soph – minha filha de 6 anos – gritou, chorosa. “Titio Sanders dormiu?”

“Sim, querida. Ele dormiu... E vai demorar muito para acordar”, disse, abrindo os braços e me abaixando.

Foi certeiro, já que a garota veio correndo para meus braços enquanto chorava e chorava demais. Fungava, soluçava, gritava, esperneava. Se limpava na minha roupa, e recomeçava todo o choro novamente. Aquilo parecia não ter fim. Não, querida, Sanders nunca abandonaria você e eu aqui, sozinhas, para juntarmos os pedaços dos nossos pequenos corações imundos.

Feito por: L.Cotta

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