quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Salva-me, proscrita: O salmo dos desesperados (Parte 1.)


"Viemos da Terra de Ninguém.
Navegamos os mais turbulentos e quase indomáveis mares.
Corremos pelas mais obscuras e misteriosas florestas.
Viemos de tão longe!

( Para nada? Para nada?
Para muito além de nada ou tudo.
Pela ordem e pelo caos.
)

Sou a guia de meu povo!
- Vê aquele Senhor? Ele é mais velho do que aparenta ser.
Venha. Junte-se a nós!
( Mas lembre-se: Para onde será levado, não haverá volta )

Vai embarcar no mistério cigano?
O que tens a perder, meu caro?
Vejo em teu olhar: Inúmeras desilusões, incontáveis frustrações.
( Que tamanha determinação! )

Mas, oh, que mãos são essas?
Nunca vi mãos tão confusas.
Tão indecisas. Tão maleáveis.
E ao mesmo tempo tão rígidas.

Mas, oh, que mãos são essas?
- Venha, embarca no embalo cigano.
Para onde será levado, não haverá volta.
Presumo que não se importe.

Veja só teu olhar! Tão cedendo pela Eternidade!
- Mas isso é tudo que eu posso te dar.
O caminho da Guia é tão conturbado, meu jovem.
Tão confuso, tão diferente. Tão mais complicado!
- Conseguirias existir assim?

Adianto-lhe, caro rapaz.
Para onde queres ir, nem tudo são flores.
Para onde queres ir, é um caminho além da dos Ciganos.
Para onde queres ir, eu já fui.
E adianto-lhe, caro rapaz: Não é delicioso da forma como pensa que é.

Ordem e Caos.
- É para isso que eu existo.
( Justiça! Justiça! Justiça!
Queimem os proscritos! )
Ordem e Caos.
- É a isso que eu sirvo.

A verdade? O amor? A justiça não é feita deles.
São apenas fatores a serem julgados.

( Agora, dê-me essa sua pena. Pesarei teu coração.
E assim direi, meu rapaz, se és puro ou não.
E assim direi, meu rapaz, tudo o que posso lhe fornecer.
)

Mas isso é tudo que eu posso te dar.
Mas isso é tudo que eu posso te dar.

É uma pena que não ouviste a súplica em meu olhar.
É uma pena que não ouviste todos versos cantados por essa cigana
.
Enquanto conclui sua dança.
Enquanto cria, enquano clama por salvação aos espíritos tão errantes...
Quanto o meu!

- O meu espírito pode não valer tanto quanto o teu.
Mas é indomável ao ponto de trocar muito além de matéria e espírito
Por uma vívida carne a dançar.
Por uma vívida mente a criar.
- É por isso que existo.

Eu sou a Ordem e eu sou o Caos.
Eu crio, eu destruo. Então refaço.
É só por este motivo que caí!
É só por este motivo que estou presa aqui!

Eu sou a Ordem, e eu sou o Caos.
Eu crio, eu recrio. Insatisfeita, refaço.
Pois sempre há um jeito.

Então levanta.
Pega tuas coisas.
Levanta-te e vai!
Ergue teu punho!
Suma logo daqui!

(É uma pena que não ouviste a súplica em meu olhar.
É uma pena que não ouviste todos versos cantados por essa cigana.
)

As vezes, a verdade e a mentira são uma só.- Inúmeros Mortais e Imortais cairam diante da Justiça em prol do CAOS e ORDEM.
- Inúmeros seres valorosos não acreditaram em suas palavras.
A justiça, a verdade e a mentira, o caos e a ordem, o amor e o ódio.
São encontradas nas mais diferentes formas.

Eu sou uma delas. Tal qual inflexível.
( Sou mais flexível do que imaginas.
É tudo uma questão de saber quando ser.)
Cabe apenas à você decidir acreditar ou não.
Acreditar é tudo o que importa.
Pois, no fim, ninguém nunca te engana.
É só você quem interpreta mal.

- E é exatamente por este motivo que julgam mal a Cigana. E a Raposa.
E é exatamente por isso que não sei quem sou: Pois sou flexível demais.

É tudo uma questão de interpretação e de acreditar.
- Agora dance só por essa noite, minha Criança. Não te lembrarás de nada que lhe disseste,quando me ver novamente."
Feito por: L.Cotta

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