domingo, 31 de julho de 2011

Um relato sobre meu dia.

E de todos os sentimentos que poderiam me acometer hoje, a tristeza e a ansiedade me atacaram como um lobo voraz faz com sua presa. Me nocautearam, arrancaram minhas entranhas e fizeram meu coração saltar em agonia num único suspiro. Tal qual a agonia de meu coração pulsante, minha mente fica confusa. Sim e não. Não e sim. Deveria deixar o rio seguir seu curso, deveria pegar o caminho mais turvo ou o mais tranqüilo? Deveria lutar pelo o que quero e cravar minhas unhas?
D E  U M A  C O I S A  B E M  S E I:
Utilizando ou não o mesmo caminho, os rios sempre desaguam no mesmo lugar.
Feito por: L.Cotta




"Mas diz, porque tu vais embora? Mas diz, porque tens tanto medo se não acorda cedo, nem trabalha, estuda ou namora? Mas diz, porque chegou a hora agora que eu perdi meu medo...  Te peguei pelos dedos pra dançar enquanto o Sol embora. Para chegar trazendo a aurora, e a luz que cega e me dá medo! E como um torpedo eu deslizo, vôo livre num mar de lençóis. Que a cada dobra conta histórias, de muitas delas sinto medo. São muitos enredos, enrolados e embrigados como nós. Tão a sós. [...] Porque você insiste em dizer que ainda há vida sem você?"
Fresno, "Milonga"

sábado, 30 de julho de 2011

You're ready to go.

"Quando você veio, tirou-me o fôlego
Perdi meu sossego.
Quando tu me sentes,
Querido, pego fogo.

E tudo o que consigo ouvir,
muito além de nós,
é o chamado para o retorno.
O confronto.
O destronar de reis.

E me chamam, me chamam
para casa.
E gritam, gritam,
para que retorne à consciência.

Eu mergulhei neste oceano,
(em você)
E não retornarei a superfície.

Eu mergulhei em sua mente,
e não pretendo retornar à minha.

Mergulhei neste teu oceano de ódio e dor
Neste teu tão profundo oceano, misterioso
indomável
perigoso
E com certeza não conseguirei retornar.
Arrastada pela maré de teu toque,
a maré de teus beijos
perco-me na correnteza.

E amanheço em meio a ressaca
de teu par de olhos.
E amanheço junto a areia,
que é a minha cama.
E nela faço-me tua.

Amanheço em meio a ressaca
que teu par de olhos contém.

Pois, ver-te acordar foi a maior alegria
em toda minha vida."
Feito por: L.Cotta

terça-feira, 26 de julho de 2011

Bloody my boy

"Pausa, para o ar
 não consigo respirar
 quando nossos corpos estão tão próximos assim...
 Sentir-te junto à mim
 é o que me faz feliz

Beije-me, meu garoto.

 Pausa para o ar!
 não consigo respirar
Quando lhe sinto junto à mim
 tudo em que penso é no jardim de fantasia
... que é a nossa mente
 E onde nem tudo é sempre decente...

 Pausa para o ar!
 não consigo respirar
 quando te tenho tão próximo à mim...
 minha mente torna-se tão vulnerável quanto o mais sensível cetim.

 Beija-me, meu garoto...
 a ânsia me consome!
o frio em minha barriga parece não ter fim!


 Pausa para o ar, não consigo respirar.
 É tudo um devaneio
 e sem rodeios
 ei de afastar-me deste sonho...

 Eu posso?
 Eu devo?

 E tudo o que quero é ser tocada por ti novamente, meu amor..."
Feito por: L.Cotta

Love Game.

"Diga-me:
Quando tu começarás a dançar a minha dança?
Quando tu começarás a jogar o meu jogo?

Onde o certo é errado...
E o errado nem sempre é certo?

Quando tu começarás a ver como eu vejo?

No ponto onde só há ida, e retorno algum.
Minh'alma e corpo já não são suficientes, cavaleiro?
Queres também a minha mente, o meu sono?
(E quem te disseste que podias roubar a minha paz?)

Essa angústia que não passa.
Essa sede que não some.
Essa fome que não se sacia.

Quando tu começarás a sentir o que sinto?
Quando tu começarás a sorrir como sorrio?
 E a amar como eu amo?

E tudo que posso dizer é que correndo iria,
de encontro aos braços teus
se tu disseste o nome meu."
Feito por: L.Cotta




"Malvada rosa, que floresce caprichosa, com um colorido tão maníaco. Mesmo sendo tão bela, possui tantos espinhos que ninguém consegue tocá-la."
Kagamine Rin, "Daughter of Devil"

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uma rápida passagem...

"E eu teria os pesadelos dele, se isso significasse que ele poderia dormir em paz. Teria a raiva em seu lugar, se isso significasse que ele poderia sorrir outra vez.  Simplesmente fico feliz em vê-lo sorrindo... Em tocá-lo.
Pois assim, depois de tudo, saberei que é real. E que posso protegê-lo, mimá-lo... Acalentá-lo quando mais precisar... E tudo o que tens de fazer é chamar pelo meu nome."
Feito por: L.Cotta

"Mas diz, porque tu vais embora? Mas diz, porque tens tanto medo se não acorda cedo, nem trabalha, estuda ou namora? Mas diz, porque chegou a hora agora que eu perdi meu medo...  Te peguei pelos dedos pra dançar enquanto o Sol embora. Para chegar trazendo a aurora, e a luz que cega e me dá medo! E como um torpedo eu deslizo, vôo livre num mar de lençóis. Que a cada dobra conta histórias, de muitas delas sinto medo. São muitos enredos, enrolados e embrigados como nós. Tão a sós. [...] Porque você insiste em dizer que ainda há vida sem você?"
Fresno, "Milonga"

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tríplice C. (o Canídeo, o Cavaleiro, e a China)


Um homem pode até dizer que é livre, inigualável em sua categoria ou talento, pode até dizer que é dono de milhares de corações e olhares. Pode dizer que não se envolve, que não segue ordens, e sim que faz as suas próprias. — Ele disse. — O que nenhum desses homens disse é que suas companheiras, suas mulheres, sejam elas Chinas* ou as mais delicadas Prendas**, é que os comandam em casa. Elas ditam as regras, caso eles queiram sobreviver um dia com seus exércitos mais poderosos.  — O rapaz sorriu, erguendo com suavidade o rosto da garota ao tocar-lhe o queixo. — Não te sintas dessa forma, por não ser uma prenda tão formosa. Tu nunca o seria por consciência, e mesmo que te dominassem o espírito e a carne, jamais o será, Roxana (de origem persa, significa "Aurora"). 


Eu conheço pouco do mundo, Rachid (de origem árabe, significa "O justo"). Não tanto quanto ti, por supuesto. Uma prenda, eu? Uma china eu sou. Do campo vim, ao campo retornarei. Posso ter nascido em berço banhado em ouro, mas minh'alma a este não pertence. Eu sou uma mulher de guerra. Por esse motivo não conheço o famoso sentimento do Amor, ao qual as demais daminhas tanto idolatram. Qual sua graça? O que ele é? Porque ele existe? Ele dói? Ele é bom? Como eu sei quando amo? — argumentou a dama de guerra, enquanto este erguía-lhe o olhar. Não cedeu, não hesitou. Ali ficou, desafiando-o. Encarando-o. — Tu pensas que a vida de uma china resume-se a honrar aos desejos mais secretos dos homens, Senhorzinho. Mas tu que és tu, o rapaz mais estranho e talvez o único neste louco mundo, não compreendes. Quem dirá os grandes senhores de Guerra? Tu pensas que todas nós não possuímos honra. Imaculadas criaturas noturnas, ninfetas. Succubus. Não, senhor. Nem todas nós. Vos esqueceis de que chita não é só àquela que atende aos teus desejos, mas também àquela que o acompanha em guerra empunhando a espada, ao machado, a lança, montada em um alasão, na falta de homens. Esqueces que quem socorre aos teus e os cura, somos nós. E muitas de nós nem conhecem ao amor... Tantas imaculadas, por descarte de nobres homens como tu! Que ousam olhar-nos de cima à baixo como pobres frutas podres. Um cão teria mais respeito conosco. 


Tu perecerás sem conhecer ao amor... — disse Rachid, em um único sussurro, ao lamentar-se. — Como pode bela dama assim fenecer no triunfo e ao mesmo tempo carregar a derrota para o túmulo?


Não há derrota quando não há o que se perder. — contra argumentou Roxana, com um triste sorriso.

Tu perdestes algo, não? Tu eras uma prenda, antes de china se considerar. Nem china és. És Amazona.


Amazona não sou, Rachid. Caso contrário não teria um dos seios... Afinal, arqueira seria. E não guerreira que sou.

Apenas nas lendas elas são tem um dos seios, bela dama. Além do mais... Quem vos disseste que arqueiros não são guerreiros? Deixeis para outrora... E não te desvias de minha pergunta, dama. — rosnou o rapaz, pondo pequena pressão no queixo da garota.


Prenda disseram que era. Não era, nunca seria. Tinha 15 anos, Rachid. Era uma flor, uma menina. Muito mal criada apesar de educação me ter sido posta garganta abaixo, mas ainda era uma menina. Não podiam. Mas fizeram. Ia casar, Rachid... Desde pequena contavam-me histórias sobre lindas donzelas postas em perigo, mas sempre salvas no final. Sempre felizes. Sempre frágeis, tão doces e tão lindas. Nós somos forçadas a acreditar no amor mesmo que ele não exista, doce Criança. Quando nossas mãos são jogadas à mercê do casamento, pensamos em um lindo cavalheiro. Educado, doce, lindo, rico, heróico e com uma conduta de honra impecável, invejável. Mas não é bem assim. O amor não existe... Tudo o que nos dizem é mentira. Felizes sois vós, os homens, que desde pequenos são levados a acreditar nas mais absurdas criaturas e fatos. Felizes sois vós, os homens, que brincam com objetos e seres que não existem, que não são sobrecarregados com as condutas maduras jogadas garganta abaixo. O mundo é cruel com teus homens, Rachid? É. Muito, até demais. Mas isso não é sequer um terço da dor que as mulheres sentem por verem seus sonhos sendo destruídos. Tudo aquilo em que mais acreditavam sendo jogado ladeira abaixo e trancafiado em um quarto em que é posto fogo... Eu nunca descobri o amor, rapaz. Covarde que sou, fugi. E meu erro pago agora, honrando minha conduta tal como o mais heróico homem faria. Honra, coragem, justiça, beleza e verdade.

O mundo é cruel demais com a senhorita, Roxana.
 
A garoa anunciou-se, assim que o rapaz afastou sua mão da face da dama. Bem menos robusta que ele, mais baixa, de mãos frágeis e macias, cabelos castanhos escuros ondulados e olhos igualmente escurecidos e cor de lama. Roxana não parecia uma mulher de guerra. Não. Ela tinha o físico da donzela mais frágil e bela, apenas com o adicional de um corpo mais forte, hábil, ágil. Era bem cuidada, até demais. Talvez, no fundo de seu coração, ela ainda se importasse com parte de si. Suas unhas eram lindas, mas não estavam feitas. Era puramente natural, a dama. Encantadora, estonteante. Um misto de selvageria e tristeza. Um clássico estereótipo de mulher que finge ser forte, mas que toda noite encontra-se entregue aos prantos.
Ele retirou o peitoral pesado de sua armadura, e retirou sua blusa que outrora era branca. Atualmente? Bem, atualmente sua blusa estava quase enegrecida pela sujeira que todas as batalhas causavam. Sangue, lama, grama, suor. Tudo aquilo se encontrava na blusa. Rachid a estendeu (a blusa) sobre a cabeça de Roxana, com o intuito de que esta não fosse "danificada" pela garoa.


Que estás a fazer, soldado? rosnou, contrariada, Roxana. Estufou o peito, com a intenção de dar ênfase ao fato de que também usava uma armadura que lhe cobria quase que todo o corpo.

Agradando a uma dama que assim o merece. Uma flor como tu não devias estar exposta a tanto frio e a tanto Sol.

Caso não saibas, as flores contém espinhos e outras artimanhas de defesa. E também precisam de luz do Sol e frio para viver. Caso contrário, perecem!


Ele sorriu, descarado. Ela não negara que era uma flor.


  O que estás a observar? disse Roxana, interrompendo o fluxo de pensamentos de Rachid.


Rachid apontou para dois lobos que estavam jogados ao chão. O maior (provavelmente o macho, concluiu ele) estava todo ensanguentado, principalmente na boca. O menor estava aninhado ao primeiro lobo, lambendo suas feridas.


Tu perguntastes o que era amor. Disseste que nunca o sentistes. Rachid murmurou, ainda apontando para os lobos. — Aquilo é amor em sua forma mais bruta e primórdia.


Roxana observou que mesmo o lobo maior estando significativamente morto, o outro lobo não havia desistido de seu companheiro. Uma fêmea e um macho? Uma mãe e um filho? Quem sabe um dia isso seria descoberto, se Roxana - em um ato impulsivo - não tivesse decaptado o lobo sobrevivente.


Porquê o fizeste? gritou Rachid. — Tu enlouqueceste? És insana e não me disseste? Porquê o fizeste, Roxana? repetia o rapaz.


Por que quem ama em sua forma primórdia não merece sofrer. Na vida e na morte, ele permanecerá o mesmo. É difícil encontrá-lo, mas uma vez adotado jamais será esquecido. Na vida e na morte, estarão juntos.


E no fundo de seus corações, Rachid e Roxana sabiam: ela estava certa.
E se lobos pudessem sorrir, este último teria sorrido. Estava em paz, agora.


E Roxana era sua salvadora.


Depois das noites mais escuras, o Sol sempre vem...
Feito por: L.Cotta




Vou te dar um conselho: Nunca esqueça quem você é. O resto do mundo não esquecerá. Então use isso como armadura, assim isso nunca poderá ser usado para ferí-lo.
Game of Thrones, "Tyrion Lannister" (Episódio 1.)



*Termo usado, no rio grande do sul, para mulheres que iam para a guerra (ou prostitutas)
**Termo usado, no rio grande do sul, para mulheres bonitas/elegantes/com status elevado, que ficavam em casa esperando o homem voltar da guerra. Mal sabiam administrar armas.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A espera de Nemo*

*Significa, em finlandês, "Ninguém".

"Quantas vezes terei que cair,
  apenas na esperança de que tu me ergas?
Quantas lutas terei que lutar,
  apenas na esperança de que tu me notes?
Quantas vezes terei que gritar,
  apenas na esperança de espantar a dor?
Quantas lágrimas eu vou derramar,
  até que tu finalmente saias de minha mente?
Quantas vezes eu terei que te ver
  correndo para os braços de outr'alguém?

Quantas vezes terei que cair,
  até que tu percebas que posso erguer-me sozinha?

E que minhas frágeis mãozinhas têm força? E que meus pequenos bracinhos são dedicados?

Quantos sonhos terei que sonhar,
  apenas na esperança de nunca mais acordar?
Quantos sonhos poderei criar,
  apenas na esperança de substituir-te em minha mente?
Quantas pessoas terei que suportar,
  apenas na esperança de esquecer-te?

Quantas lágrimas ei de derramar,
  quantos caminhos terei que escolher,
  quantas vidas terei de viver,
  quantas vezes irei me erguer

... até aprender a viver sem você?
... até aprender a viver com você?"
Feito por: L.Cotta






Eu estaria lá toda vez que você precisasse de mim,
eu sempre estaria lá!
Mas, por enquanto, pareço tão ansioso, esperando...
Até você me querer...
Até precisar de mim...
Até você me notar...

Dashboard Confessional, "For you to Notice me"

sábado, 16 de julho de 2011

As cartas de um bardo, PT II. (Cartas de uma trovadora, PT I.)

"Queria, ah como eu queria!, poder tocar-te os lábios por breves instantes, meu bardo há tempos esquecido. Como queria que dedicastes tua prosa, tua proeza, a mim! Sim, àquela prosa que tu recitas com tão belos lábios!

Metade do mundo percorri, e metade do mundo ei de enfrentar se isso significar estar em teus braços novamente, ó amante meu! Como sofre meu amor em silencio, nesse papel há muito envelhecido - e tão bem escondido em minhas vestes, como as palavras que em minha boca são feitas reféns!

Quem me dera, meu amado, que teu amor fosse dedicado a mim! Que toda a curvatura de teus lábios ousassem pronunciar somente ao meu nome, que todo teu corpo clamasse ao meu... Quem me dera teus olhos se abrirem de sonhos, bem frente aos meus... Percorrer-lhe as costas, sabendo que és real, que como um todo lhe possuo!  Como ei de temer? Pois temo-o. Não a ti, mas ao teu amor doentio. Que me puxa e vem, e vai e volta, e foge e reaparece. E seria amor? Seria luxúria?  Queria eu me importar. Queria não entregar-me ao egoísmo. Pois entrego-me, de corpo e alma. Faça-me tua, puro pecado! Acalma toda essa tempestade em meu coração com um único e demorado encontro com teus lábios! É o que lhe peço: cobre-me com a tua noite, com a tua luxúria e com tudo o que for possível para retirar-me da terra de sonhos, onde posso iludir-me e dizer que tu és real e a mim pertence! E como pertenceria? Tu és livre como uma ave de rapina, selvagem e ao mesmo tempo tão ilusório quanto a raposa que persegue ao lenhador!

Cada dia sem ti é um dia a menos em todo o território que se resume ao meu coração. Uma noite a mais em minha terra fantasiosa, um dia a mais de palavras feitas de reféns e assim assassinadas - e seu parente, o silêncio, reside no luto que provém dessas lágrimas.

 E tudo que queria era que tu tivesses sequer idéia do quanto eu te quero, do quanto eu te amo...

Uma despedida, então.
Encontramo-nos na eternidade.
E como esta demorará sabe-se lá quanto...
Encontramo-nos em meus sonhos, meu amor inexistente e pouco provável."
Feito por: L.Cotta





Quando me falaste de amor e eu te calei, ardendo por dentro...
Te perdi como o vento que sopra e se vai sem avisar
Só me resta um retrato em algum canto do meu quarto
Um tanto escondido, junto a um livro antigo
Quase no esquecimento, mas sempre comigo...
Adriana Mezzadri, "Te Tiengo Medo"

domingo, 10 de julho de 2011

Minha Irlandesa.

"Pés descalsos a dançar. Inconsequentes de nossos feitos
de nossas vontades, de nossos desejos.
Mãos que ousam cultivar, semear, espalhar nossa canção
tocando nossas melodias, contando nossos feitos...
 Denegrindo, violando, a estação.

Siga teu caminho, poderosa Irlandesa...
 Minha irlandesa."
Feito por: L.Cotta

Um dia, a sorte lhe sorri.

" - Um dia, a sorte lhe sorri. - disse o homem.

 - A sorte? Mas, vovô, eu não acredito em sorte. Nem em destino. - murmurou a garotinha, de cabeça baixa.

- Você acredita que o impossível é possível quando se acredita que ele é possível? - indagou o velho.

- Sim. -

- Então você acredita na sorte e no destino. -

- Mas, vovô, o impossível se torna possível quando acreditamos que ele é possível, não é sorte ou o destino que nos faz acreditar. Somos nós! - insistiu a garota.

- É uma boa argumentação. Querida, vê aquele pequeno casulo? - perguntou-lhe o velho, novamente.

- Vejo sim, vovô. -

- Não é o fato da lagarta dentro dele acreditar que ele é facilmente quebrável, porque é difícil. O destino e a sorte lhe decidem. Você acha que ela conseguiria sair? -

- Ora, mas é claro. Desde que a largatinha tente, tudo é possivel. E não há sina ou sorte que reine sobre isso. -

- Exatamente. E como tu podes dizer que não és capaz de amá-lo ou suportá-lo e guiá-lo, se tu nem tentastes? -

- Mas, vovô. Eu tenho tanto medo! -

- Você não tem medo, pequena Kathryne. Você só é indecisa e insegura. Quando tu decides, não há sina, sorte ou julgamento e ordem que reinem sobre ti. É só a tua vontade e a tua força, tua grandiosidade sem fim. Quando tu decides algo, tu vais e busca. Assim que te criei, assim é que és! -

- Mas eu... -

- Pára de prender-se aos detalhes e trata de ser feliz! - interrompeu-lhe o velho, extremamente enfurecido.

A garota correu. Correu por ela, por todos, de tanto medo do avô. Correu o máximo que pôde. Correu até os joelhos doerem e as pernas já não mais aguentarem. Ela correu, correu para o abismo dentro de seu coração. Correu,  de tudo e por todos... Correu para a única coisa que poderia trazer-lhe segurança, que poderia completar-lhe mesmo que estivesse errada, mesmo que todo o mundo parecesse explodir: Ela correu para o seu amor pouco provável. E abraçou, com todas suas forças, aos seres que por tanto tempo odiou: a sina, a sorte, e a fé em si própria.

Você já conhece seu caminho, o que está esperando, criança?
"
Feito por: L.Cotta

Mas é claro que o Sol voltará amanhã.

Preciso descrever mais? A letra da música, originalmente cantada por Renato Russo (cuja versão que ouço é na voz do Tico Santa Cruz), diz tudo... Tudo.

"Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente

Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem

Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!"