quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sonhando os meus sonhos.

" Sonhei que tu estavas comigo em uma excursão. Recordo-me de toda sua felicidade, de todo seu lado extasiado. Recordo-me até da casa de praia a qual era a própria definição da excursão.  Recordo-me de ti sentado ali no cantinho da garagem da enorme casa de praia. Pensativo, quieto, quase imóvel. Lembro-me de sentar-me ao teu lado, bem colada à ti, e até de não te importares com isso. E no fundo do meu coração, bem sei que te queria.  É difícil me lembrar do diálogo. Chegamos a sorrir e trocar olhares várias vezes.

- Eu não quero acordar. Há um outro mundo, um mundo melhor. - eu disse. - Ou pelo menos, deve haver.

Tentei impedir as lágrimas, o soluço. Mas vieram com toda a força possível e que eu pensava que não poderiam adquirir com o tempo - após tanto choros contidos e silenciados para sempre. Num gesto doce, limpaste minhas lágrimas.

- Aonde você vai, eu não posso ir. - disse ele, com um sorriso entristecido. - Mas nós ainda vamos continuar amigos para sempre, não vamos?

Não sei. Meu coração doía. E o frio era tamanho... Afinal, de quem fora a idéia de ir para uma casa na praia no frio? Ignorei esse pensamento.
Lentamente, coloquei uma de minhas mãos em tua face, e aproximei a minha.

- Eu não quero acordar - eu repeti, sentindo mais lágrimas seguirem o curso abaixo dos olhos.

- Uma hora, vai ter que. - ele murmurou. - O mundo não é um parque de diversões...

- Sssshhh... - disse, colocando o indicador em seus lábios e fechando meus próprios olhos.

Eu só queria estar ali. Eu não tinha para onde ir. Nada. Eu só queria aproveitar cada segundo em contato com a sua pele, mesmo que sendo o meu dedo em seus lábios tão cheios de ternura e tristeza. Mas, acho que ele não percebeu isso. Aproximei minha face da sua, mais ainda, e retirei meu dedo de seus lábios. Apenas meu nariz e testa encostaram nas dele. Abri os olhos, encarando-o.

- Não me abandone... Eu não quero acordar! - eu repeti, pela terceira vez.

Meu avô aparecera, e o cenário mudou-se para uma estação de trem. Até nossas roupas, mas não irei descrevê-las, é inútil. Ele (o avô) me buscou a mão, e assim, bem aos poucos, nos distanciara. Mantive o outro braço erguido em sua direção, e tudo o que ele fez foi abaixar a cabeça e suspirar em tristeza.

Deve haver outro mundo.
 ... Deve haver um mundo melhor.

 Não é?"
Feito por: L.Cotta

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