terça-feira, 7 de junho de 2011

Px's.Dance

"Cada vez que ergo as mãos, bem rumo aos céus
 deparo-me com um cerúleo estonteante.
Toda manhã espreguiço-me abaixo destes algodões
 sedenta por provar-lhe o gosto.

   Cada vez que ergo minhas mãos, bem rumo aos céus
 deparo-me com um sentimento insaciável.

   Ó bela ave, tão perdida em seu reino
 perdida não por falta de lhe terem procurado,
 perdida por vontade.
   Por instinto, por motivo.


      Ó bela ave, alma minha tu partiste, destroçaste
   quando deixaste de cantar com o alvorecer
 quando deixaste de aparecer para fortalecer minhas raízes,
    por mais que elas lhe tenham sido cruéis e ríspidas
e talvez não mais existissem.

    Ó bela ave, alma minha tu deixaste
quando negligenciara o meu céu não tão azul
 mas o suficiente para mim.  [Por outros céus voarás?]
   Novos céus procurará, a fim de honrar-se,
pintando-os com seu enfurecido, assanhado, avermelhado?

   Ó bela ave, que tão belo homem contém
ou seria o belo homem o portador de tal ave?

      E cá encontro-me, em meio a esta maré de preocupação,
dançando em rocha, dançando ao meu próprio som
           o som da minha própria pulsação.
   Sentimento que flui com clareza, com certeza

 que dia pós dia faz-me cantar, dançar, em prol de
   mi corazón.
   que dia pós dia faz-me reverenciar tuas marés,
que dia pós dia faz-me conter tempestades, furacões,
    em meu coração.

  Felino companheiro, onde estará minha ave de rapina?
meu companheiro, meu fiel escudeiro
                                                meu eterno consorte.
      Recusara minha dança? Recusara meu chamado?
Como ei de temer sua vontade? Como ei de recusá-la?
                                             Pois voa, voa linda ave.

 Voa pelo céu, voa através das marés do tempo
     quem sabe das areias.

                                           Tu és livre.
  E há de se ter enganado caso pensaste o contrário.
                           Foste e será livre.
      Voa, linda ave. Voa pelo céu.
  Não tenho(terei) coragem de aprisionar-lhe, não serei
teu carrasco até o fim dos tempos.

    Espalha esse teu vermelho escarlate, esse teu alaranjado solar
e traz a noite e o dia para mim.

                                          Então saiba:
       através das marés e areias do tempo,
   dos mais tempestuosos mares
     dos terríveis furacões, tufões, tempestades

         do, sobretudo, tortuoso e árduo deserto
     das límpidas florestas, ainda intactas
     selvagens, triunfantes...
   das esplendorosas montanhas
     íngremes cordilheiras...

      Tua companheira está sempre lá
 a executar a dança, mesmo que ao seu próprio ritmo
     quem sabe até som.

  Está sempre a chamar-te. Mas não te exaltes:
      jamais idolatrar-te.

   Pois és livre, e não há chamado, fé, sonho
                    ou sina que te prove o contrário.
                      Pois saiba:
    Ela lhe observará, mesmo que de longe.
(Estará sempre orando por ti, protegendo-o)
     Verá a bela ave guiar o Pôr e o Nascer do Sol,
  completando o ciclo sem fim."

(Letha K.Cotta.)    L.Cotta


                                                   Pois o dia só se completa com a noite.

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