quarta-feira, 29 de junho de 2011

O sonho da água viva e o peixe espada.

"...A pequena água vivazinha, que por algum motivo flutuava no ar quando não estava na água, pousou nas mãos da garota. E lá estava o filhote de peixe espada: na beira da areia, em um pequeno buracozinho que ela cavara para sempre poderem se ver.

- Há um mundo melhor longe desta ilha. - ela dizia, todo dia.

Dias se passaram, e no dia do seu aniversário, o peixe e a água lhe fizeram uma surpresa: fizeram-lhe um barquinho, onde ela e os dois cabiam. E lá foram os três, mar a dentro em busca de um sonho. Uma tempestade se abateu sobre o barquinho, e as ondas, cruéis, o castigavam.

- Há um mundo melhor nos esperando! - ela teimava.

Mas bem no fundo de seus corações, eles sabiam: Tinham que voltar. E ela teimava. Teimava, teimava. A garota chegou a abrir os braços e receber todas as ondas de frente, sem mover um músculo, sem jamais deixar o barco. Chegou a manter-se assim até quando a proa se elevou, e o barco mudou completamente de posição. Era uma garotinha muito estranha, afinal.
A água viva, percebendo o perigo, amarrou o peixe espada em uma corda e o prendeu ao barco - para que este o guiasse, como um cavalo, e não lhe tirasse a direção. E a água viva? Bom... Por algum motivo a água viva se transformou em uma garota de longos cabelos negros e vestes brancas como a neve.

... Eles aparecem em lugares estranhos, em tempos estranhos...

A água pegara um remozinho, e no fundo do barco esteve a teimar e a lutar para estabilizá-lo. A garota não se moveu, parecia em outro mundo, extasiada por apenas estar em alto mar. A proa novamente se elevou, e a água com toda sua força depositou os pés no outro canto do barco - para que ele não virasse.

Não adiantou.

O barco virou, e o peixe espada fora jogado em outra direção - rompendo a corda. A garota caiu no bar, e por algum motivo não nadou - afundou, como se pedra fosse. A água, assumindo sua pequena forminha de água viva, também caíra no mar - e logo pôs-se a nadar ao fundo atrás da garotinha.
Eis que, para sua infelicidade, ela chegara ao fundo. E sumira.

E no fundo de seu coraçãozinho, ele sabia... Ela não estava mais aqui. Nem viva, nem morta. Só não estava mais.

Se a água viva pudesse chorar, teria chorado. Teria batido se lhe segurassem, e gritado e gritado até a garganta secar. Bem, isso também não aconteceu. Nada disso, na verdade, acontece quando três enormes tubarões brancos te prensam na areia do fundo do mar , junto com seu melhor amigo peixe espada.

- Eu só queria salvá-la! - gritou a água viva.

O peixe espada arranhou o focinho de um dos tubarões que lhe prendia, e a água viva inutilmente tentou queimar o outro. Não adiantou. Eram enormes.

- Era aniversário dela! Ela queria ver o mar! Dizia que existia um mundo melhor depois dele! - choramingou a água viva.

Os tubarões lhes soltaram, por algum motivo. E eles sabiam: ela nunca voltaria.
A água vivazinha dobrou de tamanho e, pegando uma pedrinha, começara a desenhar na areia do fundo do mar o rosto da garota... E num único dia, todo o mar caiu em tristeza."

Feito por: L.Cotta

Sonhando os meus sonhos.

" Sonhei que tu estavas comigo em uma excursão. Recordo-me de toda sua felicidade, de todo seu lado extasiado. Recordo-me até da casa de praia a qual era a própria definição da excursão.  Recordo-me de ti sentado ali no cantinho da garagem da enorme casa de praia. Pensativo, quieto, quase imóvel. Lembro-me de sentar-me ao teu lado, bem colada à ti, e até de não te importares com isso. E no fundo do meu coração, bem sei que te queria.  É difícil me lembrar do diálogo. Chegamos a sorrir e trocar olhares várias vezes.

- Eu não quero acordar. Há um outro mundo, um mundo melhor. - eu disse. - Ou pelo menos, deve haver.

Tentei impedir as lágrimas, o soluço. Mas vieram com toda a força possível e que eu pensava que não poderiam adquirir com o tempo - após tanto choros contidos e silenciados para sempre. Num gesto doce, limpaste minhas lágrimas.

- Aonde você vai, eu não posso ir. - disse ele, com um sorriso entristecido. - Mas nós ainda vamos continuar amigos para sempre, não vamos?

Não sei. Meu coração doía. E o frio era tamanho... Afinal, de quem fora a idéia de ir para uma casa na praia no frio? Ignorei esse pensamento.
Lentamente, coloquei uma de minhas mãos em tua face, e aproximei a minha.

- Eu não quero acordar - eu repeti, sentindo mais lágrimas seguirem o curso abaixo dos olhos.

- Uma hora, vai ter que. - ele murmurou. - O mundo não é um parque de diversões...

- Sssshhh... - disse, colocando o indicador em seus lábios e fechando meus próprios olhos.

Eu só queria estar ali. Eu não tinha para onde ir. Nada. Eu só queria aproveitar cada segundo em contato com a sua pele, mesmo que sendo o meu dedo em seus lábios tão cheios de ternura e tristeza. Mas, acho que ele não percebeu isso. Aproximei minha face da sua, mais ainda, e retirei meu dedo de seus lábios. Apenas meu nariz e testa encostaram nas dele. Abri os olhos, encarando-o.

- Não me abandone... Eu não quero acordar! - eu repeti, pela terceira vez.

Meu avô aparecera, e o cenário mudou-se para uma estação de trem. Até nossas roupas, mas não irei descrevê-las, é inútil. Ele (o avô) me buscou a mão, e assim, bem aos poucos, nos distanciara. Mantive o outro braço erguido em sua direção, e tudo o que ele fez foi abaixar a cabeça e suspirar em tristeza.

Deve haver outro mundo.
 ... Deve haver um mundo melhor.

 Não é?"
Feito por: L.Cotta

terça-feira, 28 de junho de 2011

Outro fato do qual me dei conta.

" Não é errado acreditar em um deus, seja ele qual for. Todos nós possuimos nossos sonhos, crenças. Não é errado não acreditar, também. Errado é se ensinar como acreditar em alguém ou algo. Ninguém nos ensina o que é real, como rir, como falar, como sentir! Quando se ensina algo, é a prova bruta de que você tem que dar algo em troca - isso ocorre em todas ocasiões, e esta não foge delas. "
Feito por: L.Cotta

Aprendi, com o tempo, que...

"Aprendi, com o tempo, que nem todo mundo será bom com você - por mais que você saiba que no fundo elas não são verdadeiramente más, e que só são como são devido a forma e a brutalidade que o tempo e a sociedade agiram sobre tais. Todos são bons. Mas até que ponto tu estás disposto a se arriscar para compreendê-las e salvá-las? Até que ponto estás disposto a ferir-se para ajudá-las, por mais que elas não queiram?  Eu aprendi que as vezes devemos deixar a vida seguir seu curso. E que as pessoas que você ama nem sempre lhe receberão de braços abertos, mesmo o sentimento sendo recíproco, porque sabem que ou seria errado ou simplesmente porque não podem. Também aprendi que quando uma pessoa tem que sumir da sua vida para seu próprio bem, mais cedo ou mais tarde ela vai sumir - mesmo que você não queira, mesmo que você lute para reanimá-la e revivê-la dia pós dia em sua memória. Ela não vai voltar, e nunca voltaria, para te estender a mão - pois quer que tu sigas teu próprio rumo... Que continue o caminho que tal lhe mostrou com a pontinha do dedo indicador.
Afinal, se a vida fosse tão fácil ela não seria tão gloriosa."
Feito por: L.Cotta


"A vida tem valor. E você tem valor diante da vida" , já dizia Shakespeare. Bom, eu concordo - mesmo que eu deteste a minha ou algo do gênero. A vida é bela demais, gloriosa demais, devo admitir. O problema é que poucos são os seres humanos que sabem administrar as suas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Px's.Dance

"Cada vez que ergo as mãos, bem rumo aos céus
 deparo-me com um cerúleo estonteante.
Toda manhã espreguiço-me abaixo destes algodões
 sedenta por provar-lhe o gosto.

   Cada vez que ergo minhas mãos, bem rumo aos céus
 deparo-me com um sentimento insaciável.

   Ó bela ave, tão perdida em seu reino
 perdida não por falta de lhe terem procurado,
 perdida por vontade.
   Por instinto, por motivo.


      Ó bela ave, alma minha tu partiste, destroçaste
   quando deixaste de cantar com o alvorecer
 quando deixaste de aparecer para fortalecer minhas raízes,
    por mais que elas lhe tenham sido cruéis e ríspidas
e talvez não mais existissem.

    Ó bela ave, alma minha tu deixaste
quando negligenciara o meu céu não tão azul
 mas o suficiente para mim.  [Por outros céus voarás?]
   Novos céus procurará, a fim de honrar-se,
pintando-os com seu enfurecido, assanhado, avermelhado?

   Ó bela ave, que tão belo homem contém
ou seria o belo homem o portador de tal ave?

      E cá encontro-me, em meio a esta maré de preocupação,
dançando em rocha, dançando ao meu próprio som
           o som da minha própria pulsação.
   Sentimento que flui com clareza, com certeza

 que dia pós dia faz-me cantar, dançar, em prol de
   mi corazón.
   que dia pós dia faz-me reverenciar tuas marés,
que dia pós dia faz-me conter tempestades, furacões,
    em meu coração.

  Felino companheiro, onde estará minha ave de rapina?
meu companheiro, meu fiel escudeiro
                                                meu eterno consorte.
      Recusara minha dança? Recusara meu chamado?
Como ei de temer sua vontade? Como ei de recusá-la?
                                             Pois voa, voa linda ave.

 Voa pelo céu, voa através das marés do tempo
     quem sabe das areias.

                                           Tu és livre.
  E há de se ter enganado caso pensaste o contrário.
                           Foste e será livre.
      Voa, linda ave. Voa pelo céu.
  Não tenho(terei) coragem de aprisionar-lhe, não serei
teu carrasco até o fim dos tempos.

    Espalha esse teu vermelho escarlate, esse teu alaranjado solar
e traz a noite e o dia para mim.

                                          Então saiba:
       através das marés e areias do tempo,
   dos mais tempestuosos mares
     dos terríveis furacões, tufões, tempestades

         do, sobretudo, tortuoso e árduo deserto
     das límpidas florestas, ainda intactas
     selvagens, triunfantes...
   das esplendorosas montanhas
     íngremes cordilheiras...

      Tua companheira está sempre lá
 a executar a dança, mesmo que ao seu próprio ritmo
     quem sabe até som.

  Está sempre a chamar-te. Mas não te exaltes:
      jamais idolatrar-te.

   Pois és livre, e não há chamado, fé, sonho
                    ou sina que te prove o contrário.
                      Pois saiba:
    Ela lhe observará, mesmo que de longe.
(Estará sempre orando por ti, protegendo-o)
     Verá a bela ave guiar o Pôr e o Nascer do Sol,
  completando o ciclo sem fim."

(Letha K.Cotta.)    L.Cotta


                                                   Pois o dia só se completa com a noite.

Diagnóstico, a longo prazo.

"Sabe qual a vantagem de viver sob a Luz?
É que você pode se dissipar/misturar em meio à Escuridão, aos perdidos.
Quem vê cara não vê coração."
L.Cotta

Diagnóstico, a curto prazo.

"Sabe qual a graça de viver na Escuridão?
É que você nunca está sozinho."
L.Cotta