domingo, 31 de outubro de 2010

Deixe-a entrar.


Mato, pois quero.

Mato, pois preciso.
Mato, por vingança e por desejo.
Por fraquejo, talvez?
Por audácia, por astúcia.

Talvez, até por medo.
Ou por insegurança.
Talvez seja até mesmo por defesa.
Quem sabe, sobrevivência.

Mato, assassino, estripo, mutilo. Que lindo desfecho!
Quando todo esse sangue cai,
- Gota a gota -
Em minhas sóbrias, mas rígidas e macias, mãos.

Mãos que tanto testemunharam.
Mãos que tanto fraquejaram.
Mãos que tanto fizeram sonhar.

- Mãos, rígidas e sóbrias. Macias e tensas -




Que presenciam o gotejar.
Que presenciam a morte.
A morte. De tempos em tempos.
- De pouco a pouco -

A morte, companheira traiçoeira.
A morte, companheira falsa.
- Alheia a quaisquer sentimentos e atos -
Quando essa Bela Moça vem, não aceita um 'Não' como resposta.

Ela vem.
Ela busca.
Ela rouba. Ela trai.
E então vai embora roubando tudo o que me é mais precioso.

 - Minha própria vida -

Por mais que negue,
De tempos em tempos a Bela Moça vem.
De tempos em tempos a Bela Moça vai.
E arrasta com ela um pouquinho.

- Um pouquinho de mim -

E arrasta com ela, de tempos em tempos,
Cada pedaço do meu ser.
Para que então eu acorde,
E finalmente lhe faça compania.

Merece, não merece?

- Ela sim, a morte,
merece algo que ninguém
terá de você: Sua vida,
mesmo que não queira
entregá-la. A Bela Moça
toma-lhe, e não devolve. -

Então viva bem.
E, quando a garota vier-lhe buscar
 - Aceite -
Assim, ela ficará feliz.


E não trará dor.
Não é mesmo?





Feito por: L.Cotta

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