sábado, 26 de junho de 2010

Devaneios, ligeiros.

"Se você não está comigo, está contra mim. E não há nada que você possa fazer ou falar. Seus gritos? Não adiantam. Vê essas presas? Elas vão te morder, e te rasgar, e rasgar, e rasgar. Você vai morrer lenta e dolorosamente.
Vê, agora? Não importa por quantas vezes você passa por uma situação. Só irá lhe dar o devido valor, quando por ela não mais passar. Quando a tiver perdido.Então, aproveite o fato de que ainda respira - você certamente sentirá falta disso quando seus pulmões explodirem devido o instinto natural da sobrevivência. Oh, eu sou fria e falsa, então?

Eu acordo todo o dia. Pondero: Ser humana - monótona, egoísta e sem escrúpulos - ou o que realmente sou? Não há nada de especial em mim, você vê. Mas eu me refiro à essencia, meu caro. Há um sangue correndo em minhas veias - e ele não é o de meus ancestrais. É o seu. É em seu sangue que eu quero me banhar. É o seu sangue que eu quero admirar. Não beber! Até vinho é melhor que isso.

E é isso que eu sou. Sou como uma boa atriz, esperando por amor ao lado do pior diretor. Esperando por amor ao lado de uma lata de lixo vazia. Uma atriz que se perdeu de seus tanto papéis, que perdeu o foco.

E é exatamente esse 'perder o foco', que a faz tão especial.
Porque não importa como ou onde, o que prevalece é a honra e o orgulho.
Eu tenho orgulho daquilo que sou. Prezo minha honra e minha sanidade.
Tenho um imenso orgulho em admitir que eu nasci na época errada.

Mas talvez, só talvez, isso seja bom no futuro, não?

Nascer na época errada poderia me dar a fantasia de que eu já vivi durante tempos demais, a fantasia de que demorarei mais para este local abandonar. E fico feliz por isso - eu não tenho alguém que me espera por aí. Sou só eu. Eu e eu mesma.

E é por isso que eu prezo a honra.

Eu preferiria morrer protegendo alguém. Só assim eu não ficaria em dívida com o meu sentimento de não pertencer não somente à esta época, mas a esta espécie e sociedade.

Pois, é isso que eu sou:
Como uma boa atriz perdida e abandonada, procurando por um novo papel.
Mas não há papel nenhum para ela, se ela estiver próxima ao túmulo.

Não existem mais da espécie dela, e por isso ela está próxima às lápides.
Para ter alguém de verdade para conversar. Mesmo que não possa responder, ela sabe que ele está lá. O terrivel uivar do vento, a imensidão noturna dominada pelo vazio.

Ela sabe que não está só. Somente é uma questão de tempo até juntar-se a sua verdadeira espécie - que está extinta."
By: L.Cotta

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