"Eu ainda estava lá , de pé, teimosa. Mas vazia. Oca. Não sei porquê, mas, minha reação, após sentir dor, era sempre a mesma: Analisar as pessoas, seus defeitos, e qualidades. "É normal, vai melhorar, você vai dormir e acordar bem", uma voz lá no fundinho de mim repetia.
Mas, eu estava la. Hesitante, com um medo absurdo de desabar, mas eu ainda permanecia. Ainda que totalmente ferida, eu teimava.
'Porque você saiu? onde esteve? o que foi fazer? estávamos te procurando', ela repetia. Minha resposta? 'Aah...'
Confesso que a resposta saiu vazia até para mim - a fria - e que tinha um medo absurdo de contar-lhe o esforço tremendo que vazia para não desabar - eu precisava de ajuda.
Mas, por deuses, como é que eu iria explicar a forma como eu lutava para não me encolher e me contorcer de dor? O modo como eu me contorcia e esperava o buraco no meu peito me rasgar ao meio? Eu preferiria morrer.
Nunca fui muito de demonstrar o que sinto - sempre pareci fria, vazia, e até forte por conta de tudo isso. Era dificil alguém me ver desabar - até minha mãe, na verdade. Confesso até mesmo que eu tinha medo de suas expressões, como se ninguém nunca tivesse visto alguém da minha idade chorar compulsivamente - como se alguém importante para mim estivesse morrendo.
Eu me sentia um monstro por causar esse desconforto espiritual, emocional das pessoas. Suas feições eram piedosas - eu não queria piedade."
Feito por: L.Cotta
http://www.youtube.com/watch?v=25i56AWtFqk&feature=related
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