sábado, 24 de outubro de 2009

Detestável.

Detestável.

“ Sabe, às vezes, eu chegava à conclusão de que

era totalmente burra. Não, mais do que isso!

Como eu lidaria com um sentimento que não

estava acostumada? O ciúme, a dor. Tudo ao

mesmo tempo. ”

Eu começaria a ter um ataque de fúria, se sua presença não me acalmasse – mas sabia que, à noite, eu sentiria tudo aquilo em dobro. Estava completamente, emocionalmente, decepcionada.

Era como se uma parte de mim tivesse sido tirada e, depois de muito tempo, posta no antigo lugar. No entanto, meu corpo a negava. Meu corpo se auto destruía, aos poucos.

Eu sabia que não existia paraíso.

Eu sabia que não existia descanso.

E sabia, bem até demais, que eu

Era totalmente insignificante.

Nunca gostei muito de sentir dor – na verdade, eu a reprimia durante o dia e depois a liberava durante a noite, era o meu limite!

Mas eu teimava. Teimava em permanecer de pé. Persistia até meus joelhos sangrarem, minha pele arder, meus pés formigarem e minha cabeça ser acertada pelo guindaste, enquanto caminhava sobre cacos de vidro que começavam a derreter com o calor das pequenas chamas abaixo deles. Tudo isso ao mesmo tempo.

Era tortuoso, e eu não resistiria por muito tempo.

Mas, depois que soube... A dor se multiplicou. Era como se eu fosse atropelada, estivesse em queda livre, me afogasse, devorada por tubarões lenta e dolorosamente, ter os ossos jogados para os gatos enquanto colocavam fogo em, literalmente, tudo. Na verdade, creio que tudo isso (os dois tipos de desastres) não chegava nem um pouco perto da minha dor.

Porquê?

Certo... Eu sabia que sentir ciúme era saudável. Mas que mulher em sua sã consciência aceitaria um homem sabendo que ele já possuí várias outras? Quer dizer, como ela seria especial, única, e segura? Como ela confiaria em um homem desses? Era frustrante. Era, na verdade, como se uma pequena folha pegasse fogo – como se todo àquele sentimento sumisse.

Como se tudo o que ela sentia fosse insignificante.

E, na verdade, para ele era. Ele não tinha a obrigação de amá-la, tão pouco respeitá-la ou dividir o mesmo ambiente com ela. A não ser que fossem amigos. Mas, realmente eram? Ele era sincero? Era a típica pergunta que nem eu poderia responder.



Feito por: L. Cotta

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Intervalo.

"Eu ainda estava lá , de pé, teimosa. Mas vazia. Oca. Não sei porquê, mas, minha reação, após sentir dor, era sempre a mesma: Analisar as pessoas, seus defeitos, e qualidades. "É normal, vai melhorar, você vai dormir e acordar bem", uma voz lá no fundinho de mim repetia.
Mas, eu estava la. Hesitante, com um medo absurdo de desabar, mas eu ainda permanecia. Ainda que totalmente ferida, eu teimava.

'Porque você saiu? onde esteve? o que foi fazer? estávamos te procurando', ela repetia. Minha resposta? 'Aah...'
Confesso que a resposta saiu vazia até para mim - a fria - e que tinha um medo absurdo de contar-lhe o esforço tremendo que vazia para não desabar - eu precisava de ajuda.

Mas, por deuses, como é que eu iria explicar a forma como eu lutava para não me encolher e me contorcer de dor? O modo como eu me contorcia e esperava o buraco no meu peito me rasgar ao meio? Eu preferiria morrer.
Nunca fui muito de demonstrar o que sinto - sempre pareci fria, vazia, e até forte por conta de tudo isso. Era dificil alguém me ver desabar - até minha mãe, na verdade. Confesso até mesmo que eu tinha medo de suas expressões, como se ninguém nunca tivesse visto alguém da minha idade chorar compulsivamente - como se alguém importante para mim estivesse morrendo.
Eu me sentia um monstro por causar esse desconforto espiritual, emocional das pessoas. Suas feições eram piedosas - eu não queria piedade."


Feito por: L.Cotta
http://www.youtube.com/watch?v=25i56AWtFqk&feature=related

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sonho.

" O que você faria quando aquilo que poderia salvar a sua vida é a mesma que a transformaria em um inferno? "

Sem dúvidas, já fazia um bom tempo que eu não desejava alguém dessa forma - louca, doentia. Era como se ele fosse o meu tipo preferido de droga - ou uma droga melhor que a que eu estava acostumada a ingerir. Um brinquedo para uma criança nova, uma presa para o predador! Ou seria o contrário? Eu não fazia idéia.
Lembro-me de seu toque ágil - e até gentil - , de seu olhar sustentando o meu.. lembro-me até de sua respiração, de sua voz, de seu cheiro! Confesso, eu tive de prender a respiração para me controlar - mas eu sabia que não aguentaria por muito tempo.
Naquele dia, minha pele ardia. Como se pegasse fogo. Eu queria me afastar dele e daquele calor, queria fugir. ...Mas meu corpo não me obedecia. Eu chamaria tudo isso de tortura, se não houvesse uma parte de mim - eu não sabia qual era essa parte - que implorava por mais.

Eu sabia que eu nunca teria mais.

Não teria, não poderia, encontrar seu olhar tão dócil e ao mesmo tempo tão feroz - como se ele me odiasse por isso, e só estivesse me testando. Eu estava enfeitiçada. E isso sem dúvida alguma era covardia. Pura covardia.
Eu o queria. Queria mais que tudo, e seria capaz de assassinar alguém só para tê-lo.

-

Mas era um sonho, um sonho cruel, um sonho doloroso.
Eu queria poder contar a alguém sobre ele - mas eu não podia. Queria transmitir a outro ser minha paixão doentia, louca, desvairada. Ah, se eu queria.
Mas eu não podia.
Fiquei perplexa. Eu chorava. Só então me dei conta de que eu chorava porque aquilo não era real - e eu desejava com todas minhas forças que fosse.
Eu queria, eu implorava para que fosse.

Mas nunca seria.

...E então, me peguei pensando nele.
Toda noite antes de dormir, em todo sonho, em cada tema de redação.
Pensava nele noite e dia, dia e noite.
E por incrivel que pareça, meu lado masoquista adorava o fato de eu não poder tê-lo.

...Porque esse meu lado sabia perfeitamente que eu usaria essa dor, ou essa alegria, em meus mais profundos poemas ou textos.
Arrancaria esse amor brutal de mim, se fosse necessário.


Feito por: L. Cotta
http://www.youtube.com/watch?v=K4RLYZ3nfVg&feature=related

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eu aprendi.

"Aprendi, talvez de uma maneira até cruel e dolorosa, o quanto é bom amar. Aprendi, talvez lentamente, que um pequeno botão de rosa um dia floresce. Aprendi, talvez em meio a monotonia, que a beleza simples jamais será notada - a menos que eles sintam dor. Aprendi que a MINHA dor não é suficiente. Que, se você não berrar e implorar por piedade, eles não irão parar.
Eu descobri, talvez depois de muito tempo, que o caminho mais longo nem sempre é o mais fácil ou o mais correto.
Então porque, meus deuses, eles insistem em fazer o errado enquanto tentamos fazer o certo? Porque há tanta gente errada no mundo?
Se nós fizemos algo errado, somos punidos. E eles não. Eu não vivo para lutar, não vivo para amar. Eu apenas... Vivo.
E confesso que, por alguns instantes, eu já quis morrer. E que já quis que tudo isso fosse mentira, para me encolher e gritar de dor - tal como uma criancinha inocente que foge dos seus pesadelos."
(Feito por: L.Cotta)

Inspirado em:
http://www.youtube.com/watch?v=DRRyLOiIDnM