Detestável.
“ Sabe, às vezes, eu chegava à conclusão de que
era totalmente burra. Não, mais do que isso!
Como eu lidaria com um sentimento que não
estava acostumada? O ciúme, a dor. Tudo ao
mesmo tempo. ”
Eu começaria a ter um ataque de fúria, se sua presença não me acalmasse – mas sabia que, à noite, eu sentiria tudo aquilo
Era como se uma parte de mim tivesse sido tirada e, depois de muito tempo, posta no antigo lugar. No entanto, meu corpo a negava. Meu corpo se auto destruía, aos poucos.
Eu sabia que não existia paraíso.
Eu sabia que não existia descanso.
E sabia, bem até demais, que eu
Era totalmente insignificante.
Nunca gostei muito de sentir dor – na verdade, eu a reprimia durante o dia e depois a liberava durante a noite, era o meu limite!
Mas eu teimava. Teimava em permanecer de pé. Persistia até meus joelhos sangrarem, minha pele arder, meus pés formigarem e minha cabeça ser acertada pelo guindaste, enquanto caminhava sobre cacos de vidro que começavam a derreter com o calor das pequenas chamas abaixo deles. Tudo isso ao mesmo tempo.
Era tortuoso, e eu não resistiria por muito tempo.
Mas, depois que soube... A dor se multiplicou. Era como se eu fosse atropelada, estivesse em queda livre, me afogasse, devorada por tubarões lenta e dolorosamente, ter os ossos jogados para os gatos enquanto colocavam fogo em, literalmente, tudo. Na verdade, creio que tudo isso (os dois tipos de desastres) não chegava nem um pouco perto da minha dor.
Porquê?
Certo... Eu sabia que sentir ciúme era saudável. Mas que mulher em sua sã consciência aceitaria um homem sabendo que ele já possuí várias outras? Quer dizer, como ela seria especial, única, e segura? Como ela confiaria em um homem desses? Era frustrante. Era, na verdade, como se uma pequena folha pegasse fogo – como se todo àquele sentimento sumisse.
Como se tudo o que ela sentia fosse insignificante.
E, na verdade, para ele era. Ele não tinha a obrigação de amá-la, tão pouco respeitá-la ou dividir o mesmo ambiente com ela. A não ser que fossem amigos. Mas, realmente eram? Ele era sincero? Era a típica pergunta que nem eu poderia responder.
Feito por: L. Cotta