quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tronco.

"Eu me sinto tão sozinha. Tão vazia. Tão oca...
Tão vazia, tão vazia. Tão só, por dentro.
A manhã passa lentamente, como uma nuvem no céu.
... Apenas vozes, alheias, vibrantes, demais em minha cabeça.

Você só precisa ter calma, estaremos com você aonde quer que vá.
Você só precisa esperar, esperar, esperar. Tudo isso irá passar.
Eles estão errados, você não é assim. Você é melhor, você pode mais. Muito mais!
Você é única, especial. Perfeita... Mas tão frágil.
Um pequeno botão que está aprendendo a florescer.
...Ei, você não acha triste os botões que não florescem?

Enlouquecer, enlouquecer. Essa é minha sina, e não há nada que eu possa fazer.
Destinada a vagar eternamente entre os vivos, tal como um velho tronco de árvore.
Um tronco... Ele resiste, ele persiste, vazio. Sem motivo...
Faça chuva, faça sol, vento. Ele está lá. E nada o muda ou o tira do lugar.
Ele pode queimar, pode mofar. Mas não sai de lá.
Resistindo, apenas, para mostrar que é forte. Mostrar que pode ajudar, que é útil.

Eu não preciso ser rude, fria, ou o contrário de tudo isso.. Como o fogo.
Não preciso ser versátil, como a água.
Preciso apenas persistir, silenciosa, mesmo que vazia.

Nós vamos ser amigos para sempre, não vamos?
Nós vamos ajudar um ao outro sempre, não vamos?
Seremos fortes, seremos úteis.
E, no fim, esfregaremos, na cara deles.
A dor, tristeza e solidão que um dia sentimos.
Nós vamos ser amigos para sempre, não vamos? ... Não vamos?"
[By: L. Cotta]

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