quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Maya no Komoriuta.

“ Às vezes, a sorte lhe sorri. ”

Sabe, às vezes – só às vezes – eu tinha a leve impressão de que minha dor nunca foi o suficiente para algumas pessoas. Acho, principalmente, que elas queriam – depois de pisar e cuspir em mim – que eu gritasse de dor e implorasse clemência. Mas, eu não daria esse gostinho a elas.

Pelo menos, não enquanto restasse uma parte de mim – e eu não sabia qual era essa parte, nem o quão determinada ela estava ou se ela tinha força para isso – que jurava proteger uma criaturinha que perdera o brilho – pelo menos, era o que ela dizia para mim. Essa mesma criaturinha, eu conheci de repente – na verdade, em um daqueles típicos dias em que você anda rumo a lugar nenhum – mas posso dizer que valeu a pena todo o esforço que minhas pernas fizeram. Ela estava encolhida em um cantinho daquela calçada suja e repugnante. Eu a observei, curiosa, mas atenta.

Ela se virou, sorrindo timidamente – e eu certamente reconheci aquele sorriso, o meu sorriso sem vida, mas bonito e tímido. Sentei-me a seu lado, desenhando, na neve, pequenas estrelinhas, o Sol, a lua, a Terra. Assim que ela terminou seu discurso – e liberou toda sua dor, para mim, eu sustentei seu olhar e alguns minutos de silêncio. Sua dor era como o gelo contra o meu fogo. Um choque térmico. Aquele choque, aquela “eletricidade” percorreu minhas veias, através de meus nervos e outras células igualmente ridículas de tão inúteis. Sua dor estava em meu corpo, e ela estava com meu calor. Mas, eu não me importava – se isso significasse que ela poderia dormir e viver em paz. Eu morreria em seu lugar se fosse necessário.

- Veja... Todas nós - todas garotas como nós, que eu digo – temos nosso lugar no Universo. As vezes, apesar do calor, da VIDA, que você acabou de receber... As vezes eu não creio que eu seja como o Sol. Você é o Sol. E eu giro em torno de você. Melhor! Você é o astro-rei da sua vida. Não sinta dor, alguma, pelos outros. Sinta dor por você. As vezes, ser egoísta – um pouco - é bom para nós mesmos. Eu sou a Lua, e você é o Sol. As pessoas que te magoam são a Terra – você pode controlá-las, e tirar sua luz – que elas necessitam – quando bem entender. Entende? Nós poderíamos causar um Eclipse, nós poderíamos sim. Acredite em mim – você é mais poderosa do que imagina. Poderosa o suficiente para ter tudo o que quer – basta sonhar, confiar e acreditar.

Eu acabei sendo sincera demais. Minha voz era rouca – não tinha mais vida. Mas, ainda sim, apesar da pouca vida que restava em mim, eu absorvia mais (vida) do Sol – que as nuvens cobriam e escondiam como se ele fosse culpado de alguma coisa que nós não sabíamos.

- ...Uma estrela tão bonita, como você, meu Sol, demora muito, muito tempo para se apagar. E quando seu brilho se apagar, todos nós – e o resto do universo – já teremos falecido. Então, não desista, mesmo que a vida não caminhe. Quando tudo parece pior é que você não pode desanimar. Sem você, eu sou como a Lua sem o Sol. Sem você, essa lua pequena e insignificante não tem brilho para a Terra.

Para minha amiga, Júlia. Feliz aniversário, atrasado. Me perdoe pela péssima

companhia que sou, mas, mesmo eu sendo tão burra e com uma “memória de

peixe”, eu te amo, minha eterna preciosidade que irei atormentar durante o

resto dos meus dias.

Lett Vallet C.

La rosa de los vientos.


PS: "Maya no Komoriuta" é o nome de um dos temas de RAGNAROK - THE ANIMATION. Qualquer coisa, o link da música está logo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=up4jo_oxVd0

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