quarta-feira, 1 de abril de 2009

Silêncio eterno.

"Me vi correndo, sem saber do quê ou de quêm, para onde ou porquê. Apenas, correndo.
Então parei e joguei-me contra o chão, contorcendo-me de dor. Uma expressão agonizante, e olhos marejados. Como fazia toda noite. Curvando-me em forma de bola e apertando o joelho contra o peito, com as mãos os envolvendo... Para apertar o buraco no meu peito, com o intuito de tampa-lo.
Uma reprise das minhas noites vazias e sem vida se passou em minha mente. Dor, dor, dor. Nada além de dor.
Eu sabia que sonhava - mas doía demais para ser fantasia. Eu queria acordar - mas não conseguia.
Eu senti um frio reconfortante. Desejei, por um minuto, jamais existir. Então eu vi um leão dourado. - Ele me olhava com tanto pesar! Com tamanha repulsa... Como se quisesse que eu me levantasse sozinha, sem ajuda alguma! - Eu era fraca, dizia à mim.
Por um momento, desejei ter visto um sentido na vida. Eu estava naquele quarto branco, sem portas ou janelas, sozinha no chão gélido. Apenas sentindo o frio buraco em meu peito, que intensificava a dor cada vez mais. E lá estava ele. Meu herói em sonhos. Meu leão dourado, meu salvador. - Mas ele não me ajudou.
Apenas, fez o buraco em meu peito doer ainda mais.
- ...As vezes, é preciso sofrer em silêncio. As vezes, precisamos de amigos.
Mas, quando precisamos, eles jamais estão lá. - É preciso sofrer em silêncio.
Em eterno silêncio..."
(By: Letícia Cotta)

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