segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Raio e a Ave.


"Aprenda, compreenda. Você não suporta mais. A distância, a falta - você não é tão forte quanto pensava. Não vá atrás daquele quem tanto feriste. Deixa-o no sétimo paraíso. Deixa-o em paz e te contenta em vagar por estes campos, sem nunca decidir entre ficar e partir. Te contenta com as almas mortais que vais enfeitiçar, sem nunca satisfeita estar. Te contenta em iludir-se nessa fantasia noturna. Substituindo o azul pelo vermelho.
Mas deixa aquela bela ave livre. Melhor observá-lo de longe, e sempre por ele zelar (mesmo que este repulsa sinta de ti) do que despedaçar suas frágeis asinhas restantes. Do que esmagar ainda mais seu ego e apunhalar sua alma. Deixa-o em paz... Deixa-o livre. Pois maremotos e furacões nem sempre andam juntos.
Pois uma ave pode até sobrevoar ao mar, mas nem sempre resiste ao raio. É intenso demais, é perigoso demais. O Raio e a Ave dividem o mesmo céu e a mesma terra, mas talvez nunca consigam se tocar sem um sair ferido. Talvez, só talvez, seja esta a deixa para quebrar as amarras do destino. Talvez seja a hora da ave finalmente encontrar paz. Talvez seja a sua vez de caminhar entre os mortos e os feridos."
L.Cotta

Porque eu não sou as palavras que saem da minha boca. Eu sou os gestos. Eu sou a criação em ação. Eu sou a intensidade. O relâmpago no escuro da noite. Eu sou a liberdade. E como liberdade, justa que é, ei de desprender-me dos pecados aos quais me apeguei - por ficar tanto tempo no escuro. O quê posso fazer se ao pecado me fundi? Adaptar para sobreviver. Mudar para estabilizar. É assim que tem que ser. Porque depois do caos sempre vem a ordem.

Estarei sempre zelando por ti.
Estarei sempre te protegendo, mesmo que isso lhe pareça a entrada para o inferno.
Estarei sempre te observando, de longe.

Eu vou estar lá quando tudo parecer pior.

You're alone.


"As contusões são lembretes
de que por dentro ela está destroçada.
 As contusões são notas solitárias
tocando ininterruptamente.
 Como arrumar forças
para cobrir a cova que estamos cavando?
 Como arrumar forças
para se levantar quando se está sangrando?
 Como cantar
quando se perdeu a voz?
 Como cantar
quando a rouquidão se fez algoz?
 Como gritar
quando se tem medo?
 Como chorar
quando só se pode sorrir?
 E como sorrir? Como sorrir?"
L.Cotta