- Buón Cumpleanno, mia piccolina - ele disse, com seu perfeito sotaque.
Envolta em seus braços, nada mais fiz do que pressionar-me contra seu peito duro, quente. Malícia alguma existia em seu tom de voz, nem em meu apelo emocional ou físico. Tudo o que eu queria era permanecer ali para sempre, contentando, pesando, avaliando meu coração tão partido -e minha alma tão escurecida. Tudo o que eu queria era ficar ali, sugando sua boa vontade e seu bom humor. De alguma forma sabia que precisava dele para me sentir melhor.
- Achaste que iria esquecer-te, não, mio tesoro? Que iria abandonar-te em meio ao rigoroso verão. Tu, a bela planta que és e que tanto anseia pelas chuvas de verão, perdida nesse calor imensurável? Tu, mio tesoro, esquecida em meio os belos plantios de primavera, e só mais uma dentre as plantas tristes de outono? Achaste, por acaso, que deixaria tal beleza esquecida para perecer em rigoroso inverno? Como pudeste fazê-lo, mia piccolina? Como pudeste? - dizia ele, afagando-me as madeixas e aprofundando a própria face nestas.
E o pior de tudo é: Não me recordo de seu nome, de seu jeito, nem de seu corpo ou sua face em si. Nem de como se vestia. Tudo o que me recordo, resume-se à sua bela linguagem, sua simpatia, o sentimento maravilhoso que ele ousava despertar em mim. Em como, por poucos minutos até, sentí-me segura, amada. E que nunca seria esquecida ou abandonada...
Ousei miar um "Sim", concordando com toda sua afirmação sobre achar que teria esquecido de meu aniversário. E quem lembraria? Eu, uma dos seres frios do mundo... Quem lembrar-se-ia, de mim?
Ele. De alguma forma.
Contive um soluço, mas com o choro excessivo não obtive o mesmo sucesso, infelizmente. Ali, parada. Apoiada em seu corpo e com a face em seu peito, tendo minhas madeixas escurecidas pelo tempo (que outrora afirmo dizer que tinham vida, brilho, e eram banhadas em puro sangue e vinho) afagadas de uma forma descomunal e desolada - como se eu estivesse longe por muito, muito tempo.
Recordo-me de começar uma frase, mas recordo-me ainda mais, e bem, apenas da que viera a seguir.
-... e ritrovo la mia pace. - terminei de dizer, chorosa.
Ali estava eu. Uma sobrevivente.
Murmurando um "Mio dios", o homem (que falava em italiano, e possuia um suave sotaque de tal - mas também possuia um outro sotaque muito antigo e mais complicado, de forma que ficara evidente o esforço que fazia, em horas de desespero, para não despertar tal sotaque... talvez por medo?) apertou-me mais contra si. Aproximara os lábios de meu ouvido, e assim iniciara uma doce e antiga canção de ninar.
Como ela era? No me recuerdo. Tudo que me recuerdo eras de una dolce melodia, e da forma com que sua língua parecia dançar e brincar com o novo idioma em que ele tanto se aprimorara.
Depositou-me um beijo na testa.
- Adiós, mia piccolina. Vá para teu mundo de sonhos... Necessità descansar. -
E tudo teve fim quando, já adormecendo, lhe respondi com minha velha frase:
- Pois o inferno é quando estamos acordados. -
by: L.Cotta
sábado, 28 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Artista. (S).
“Um sorriso doce, e palavras elegantes.
Cujos lábios contém o já perdido e já bem raro...
As flores que me entregaste, naquele doce início de outono
certamente me foram bem inúteis.
Mas, querido, a beleza que tens não perderás.
Continuamente inconstante e incoerente se tornará.
Perdido em seu paraíso interior.
Repleto de paz, e ao mesmo tempo de tanta fúria.
Guardião de doces memórias, és o que és.
Narrador, protagonista.
Não és só mais um artista.
Companheiro meu.
Teus lábios contém o já bem raro, e o já perdido.
as palavras que um dia tanto procurei.
contém a sabedoria e a luxúria que eu preciso para viver.
Eis a questão, doce aventureiro - doce escritor, protagonista, meu ator -
em quê devo perder-me:
Em teus lábios, em tua luxúria...
ou simplesmente em teus belos contos, cantos, e desencantos?”
Feito por: L.Cotta
sábado, 14 de maio de 2011
Remember me.
"Lembre de mim.
Não pelos momentos ruins.
Lembre de mim.
Não pelas coisas ruins que te disse.
Lembre de mim,
quando ninguém mais lembrar de mim.
Quando eu mesma já tiver me esquecido.
Lembre mim.
Faça-me voltar ao passado.
Lembre de mim.
quando eu mesma já tiver me esquecido.
Faça-me recordar,
de como era doce o bater de asas da borboleta
e o quão pacientemente observávamos seu casulo se abrir.
Faça-me recordar,
o fato de que companhia não tem preço,
e que a perfeição está no imperfeito.
Que a perfeição está diante dos seus próprios olhos.
Faça-me lembrar, de mim mesma.
De como eu era antes.
(Será que a minha eu do passado gostaria de mim agora?)
Faça com que eu me lembre
de como era a sensação do vento batendo no rosto
do coração a todo pulo
dos gritos loucos
das paixões desvairadas.
Faça com que eu me lembre
do que eu fui
do que eu serei
do que eu sou.
Eu não posso mudar.
Eu não posso me corrigir.
Mas tudo o que eu quero fazer é voltar no tempo.
e voltar, e voltar, e voltar...
Só para ter um momento com você, como era antes.
Só para poder ter você.
Mesmo que por só uma noite.
Mesmo que durante só uma dança.
Mesmo perante ao fogo.
Mesmo perante a lei.
E tudo o que eu quero é voltar no tempo,
mesmo não tendo me arrependido de nada que já fiz.
Faça-me lembrar..."
Feito por: L.Cotta
Não pelos momentos ruins.
Lembre de mim.
Não pelas coisas ruins que te disse.
Lembre de mim,
quando ninguém mais lembrar de mim.
Quando eu mesma já tiver me esquecido.
Lembre mim.
Faça-me voltar ao passado.
Lembre de mim.
quando eu mesma já tiver me esquecido.
Faça-me recordar,
de como era doce o bater de asas da borboleta
e o quão pacientemente observávamos seu casulo se abrir.
Faça-me recordar,
o fato de que companhia não tem preço,
e que a perfeição está no imperfeito.
Que a perfeição está diante dos seus próprios olhos.
Faça-me lembrar, de mim mesma.
De como eu era antes.
(Será que a minha eu do passado gostaria de mim agora?)
Faça com que eu me lembre
de como era a sensação do vento batendo no rosto
do coração a todo pulo
dos gritos loucos
das paixões desvairadas.
Faça com que eu me lembre
do que eu fui
do que eu serei
do que eu sou.
Eu não posso mudar.
Eu não posso me corrigir.
Mas tudo o que eu quero fazer é voltar no tempo.
e voltar, e voltar, e voltar...
Só para ter um momento com você, como era antes.
Só para poder ter você.
Mesmo que por só uma noite.
Mesmo que durante só uma dança.
Mesmo perante ao fogo.
Mesmo perante a lei.
E tudo o que eu quero é voltar no tempo,
mesmo não tendo me arrependido de nada que já fiz.
Faça-me lembrar..."
Feito por: L.Cotta
sábado, 7 de maio de 2011
Aprofundando-se no mar.
"Uma vez a cada mil anos uma alma caírá
e a beleza que têm, não perderá.
Contudo, ao princípio retornará.
Viveu com a morte em seu coração,
munida de suficiente punição.
Uma vez a cada mil anos uma alma caírá
e a beleza que têm, não perderá.
Contudo, ao princípio retornará...
assim o equilíbrio (talvez) encontrará.
... e só assim se reerguerá."
Feito por: L.Cotta
e a beleza que têm, não perderá.
Contudo, ao princípio retornará.
Viveu com a morte em seu coração,
munida de suficiente punição.
Uma vez a cada mil anos uma alma caírá
e a beleza que têm, não perderá.
Contudo, ao princípio retornará...
assim o equilíbrio (talvez) encontrará.
... e só assim se reerguerá."
Feito por: L.Cotta
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Caí.
"Eu teria dado tudo para estarmos juntos. Só um pouquinho. Um bocadinho de amor. Não mais. Eu me contentaria com o resto. Com o silêncio, com sua natureza um tanto quanto bruta e desconfiada. Só um bocadinho de amor. Juro, juro, eu me contentaria com o resto. Mesmo se suas visitas fossem exporádicas. Só um pouquinho dele já me faria feliz.
Chame de platônico se quiser. Não o considero dessa forma. Eu teria dado minha forma, minha vida, inconsequente que era naquela época.
Porquê tens tanto medo?
Agora que livrei-me das amarras, distancia-te...
Eu só precisava de um tempinho para me recompor. Só precisava de um tempinho.
Será que eu sou assim tão fácil de esquecer?
Será que eu não sou nada especial quanto tu disseste que eu era?
Eu sinto sua falta todo dia. Quando acordo, quando durmo, quando bocejo, quando me alimento.
Porque você ainda insiste em dizer que há vida sem você?"
L.Cotta
Eu definitivamente tenho que parar de sentir as coisas com mais intensidade do que deveria. Sim, eu deveria. Mas querer, dever e poder são completamente diferentes. Eu quero, eu devo. Mas não consigo.Eu não mudo. Eu não aprendo. Eu sou cega. Talvez seja por isso que seja boa com a escrita.
Eu cái. E me perdi.
E acho que não vou levantar por um bom tempo.
Chame de platônico se quiser. Não o considero dessa forma. Eu teria dado minha forma, minha vida, inconsequente que era naquela época.
Porquê tens tanto medo?
Agora que livrei-me das amarras, distancia-te...
Eu só precisava de um tempinho para me recompor. Só precisava de um tempinho.
Será que eu sou assim tão fácil de esquecer?
Será que eu não sou nada especial quanto tu disseste que eu era?
Eu sinto sua falta todo dia. Quando acordo, quando durmo, quando bocejo, quando me alimento.
Porque você ainda insiste em dizer que há vida sem você?"
L.Cotta
Eu definitivamente tenho que parar de sentir as coisas com mais intensidade do que deveria. Sim, eu deveria. Mas querer, dever e poder são completamente diferentes. Eu quero, eu devo. Mas não consigo.Eu não mudo. Eu não aprendo. Eu sou cega. Talvez seja por isso que seja boa com a escrita.
Eu cái. E me perdi.
E acho que não vou levantar por um bom tempo.
domingo, 1 de maio de 2011
L o s t.
"As vezes, apesar de termos localizações, opinião própria, companhia, e afins... Bom, as vezes você vai se perder. Porque você acha que cada um possui uma cicatriz feita pelo tempo? Pois nem todos conseguem superá-lo. Pois nem todos conseguem enfrentar a perda.
Pois nem todos conseguem se encontrar."
Feito por: L.Cotta
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